A solidão da “migaficação”

As redes sociais são maravilhosas e eu adoro como elas encurtam distâncias e se tornaram colaborativas e horizontais, quando se tratam de notícias. Mas o problema é que elas também trouxeram a falsa proximidade e a “migaficação”: você não conhece uma pessoa, mas por ver seus posts e tweets, acaba acreditando ser próxima o suficiente para chamá-la de “miga”.

Eu tenho muitas “migas” virtuais, pessoas que acompanho pelo Twitter e Facebook, que sigo e me seguem de volta, mas que não tenho a menor intimidade, não sei quais os seus verdadeiros anseios, seus segredos, seus reais problemas… sabe, como fazíamos antigamente, de realmente tentar conhecer alguém? Isso se perdeu. Ao menos para mim.

Mesmo as pessoas que conheci na internet e conheço pessoalmente, não são minhas reais amigas. Elas não sabem o que eu passo na vida, a não ser o que eu posto em modo público — ou seja, tudo aquilo que todo mundo pode ver. Isso dói. Sinto que não tenho laços verdadeiros, eles parecem ser tão frágeis e tão desconexos…

E eu me sinto um peixe fora d’água, porque vejo prints de conversas no privado entre “migas”, fotos de encontros no mundo offline, mas isso não acontece comigo. Ninguém me chama no inbox, ninguém parece realmente se importar comigo. A impressão que eu tenho é que, se eu morrer, pouquíssimas pessoas sentirão minha falta: e quando falo em “pouquíssimas” quero dizer apenas minha família (pais, irmãs, sobrinhos), meu namorado, a família dele e as pessoas com quem eu mais tenho contato no trabalho. Fora isso, parece que sou invisível pro mundo. Estou tão louca e carente ou mais alguém se sente assim?

Todas essas coisas acontecem e não tem como não pensar que o problema seja eu, que as pessoas não me queiram em suas vidas porque eu sou insuportável, sou chata, sou pegajosa… sempre me coloco no lugar delas para tentar entender o que eu possa fazer que as incomode.

Eu tento ser uma pessoa legal, a cada dia mais tento desconstruir meus preconceitos, me considero bondosa e uma boa amiga. Por que ninguém quer se aproximar de mim? O que eu fiz pra merecer isso?

Já me decepcionei com falsos amigos vários anos atrás e essas experiências fizeram eu me “fechar” por um tempo, não confiava em ninguém e tinha medo de me magoar de novo. Mas eu já superei isso há uns três anos, me abri novamente, mas não tem ninguém querendo ocupar esses espaços.

Sinto que sou um fracasso na maioria do tempo, posso dizer que tenho uma pessoa, além do meu namorado, que realmente me conhece. E essa pessoa mora em outro continente e fala outro idioma, nunca a vi pessoalmente.

É triste que, em meio a tantos followers no Twitter e tantos amigos no Facebook, eu me sinta tão só.

Karina Rodrigues de Moura

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Analista de UX, jornalista, nerd, feminista. Futura companion do Doctor. Lufa-Lufa com orgulho. Humana dos gatos Safira, Ramon, Fumaça e Luna.