Sobre os orgulhos como UX e o papel do designer no mundo atual

Mudei de área há pouco mais de um ano. Sou formada em Jornalismo e atuei nesse segmento por quase 10 anos, 7 deles na TV Cultura — o sonho de muitos profissionais. No entanto, resolvi abrir mão de uma carreira como jornalista pra me tornar UX Designer.

Não tenho tanta experiência como em minha antiga carreira, mas me orgulho de algumas coisas que fiz nesse período. Meu primeiro orgulho foi realmente ter pedido demissão de um emprego relativamente estável pra me aventurar em uma área nova e que meus pais não entendem como funciona. Se antes eles tinham orgulho de falar sobre a filha jornalista que trabalhava em televisão, agora eles mal sabem explicar o que eu faço.

Um dos meus outros orgulhos como profissional de User Experience foi um trabalho que fiz pro Facebook quando atuava em uma pequena consultoria de UX Research, Mercedes Sanchez. Nossa equipe foi a responsável por pesquisar e ajudar a implementar a ferramenta de “Buscar Recomendações” na rede social, e um time de oito profissionais norte-americanos do Facebook veio ao Brasil para tocar esse trabalho com a gente.

Nós fizemos o que eles chamam de “intercepts” (nossas “guerrilhas”) em regiões populares e nobres da cidade de São Paulo para entender como as pessoas procuram e dão recomendações de locais e serviços. Também fizemos entrevistas em profundidade com usuários para saber ainda mais como eles indicam e recebem indicações. Por último, visitamos algumas pequenas empresas para entender qual o impacto dessas recomendações em seus negócios, tanto para o bem, quanto para o mal. Foi um extenso trabalho de uma semana e, no fim, ver a ferramenta no ar foi como ver uma criança que ajudei a colocar no mundo, um orgulho sem tamanho! Até hoje, sempre que vejo algum “Procurando Recomendações” de algum amigo no meu feed, sinto muita felicidade em saber que ajudei a tornar isso real.

E eu acredito que o papel do designer hoje é realmente esse, facilitar a vida das pessoas e tornar todas as novidades algo usual e simples. Temos muito a fazer, principalmente enquanto profissionais que podem ajudar pessoas com necessidades especiais, tornando as interfaces (tenham elas telas ou não) mais acessíveis e inclusivas.

Hoje eu trabalho como UX Designer em uma empresa que vende URAs, assistentes virtuais e chatbots — ou seja, as famosas interfaces conversacionais. Até pouco tempo, eu não pensava em “desenhar” interfaces sem voz, mas é um grande desafio porque precisamos pensar que a pessoa que está interagindo com essas ferramentas não têm a facilidade da tela para guiá-las. Portanto, tudo precisa ser muito bem pensado para que não haja dúvidas nos usuários sobre a maneira como agir nas mais variadas situações.

Precisamos ter empatia para entender quais as reais necessidades das pessoas, tentar nos colocar no lugar delas para saber como podemos ajudá-las. E isso é um desafio gigantesco, inclusive porque, facilitando algumas coisas, podemos acabar com empregos e diminuir a demanda por profissionais como os de telemarketing, por exemplo.

Precisamos ter tato pra entender até que ponto uma mudança que propusermos pode salvar ou aniquilar um setor. Temos uma grande responsabilidade em nossas mãos, nossa ideia é facilitar a vida dos usuários, mas não podemos ser insensíveis a questões mais profundas como empregabilidade de mão de obra menos qualificada.

Empatia é entender os usuários, mas também saber o impacto de nossas ações na sociedade como um todo.

    Karina Rodrigues de Moura

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    Analista de UX, jornalista, nerd, feminista. Futura companion do Doctor. Lufa-Lufa com orgulho. Humana dos gatos Safira, Ramon, Fumaça e Luna.