Documento sem título.

A gente fala que o processo de cura é dia após dia, mas o que a gente não conta é que tem dias que é insuportável.

Foi quando acordei essa manhã que eu entendi, que foi quando a ficha caiu que eu estava só. E foi um só diferente. Dessa vez eu não queria outro corpo na minha cama e nem outra boca na minha pele, eu quis estar só. Doeu arranhar minhas coxas pela falta, ardeu cada lágrima que escorreu do meu rosto as 6 horas da manhã.

Cê sabe bem que meu olhos sempre foram pequeninos mas estão menores ainda pela quantidade de lágrimas que eu ando derramando por ai. Tem dias que eu consigo encarar o mundo forte mas tem dias que to mais destruída do que o edifício Wilton Paes de Almeida que foi queimado no centro.

Os amigos me falam que eu vou ficar bem, que sou grande e sou implacável. Como vou ser grande se eu to sendo tão pequena quando me dobro sozinha na cama implorando pra Deus me dar força pra aguentar o tranco? Como vou resistir a algo tão difícil quanto partir quando o amor é tão presente no meu dia a dia? Eu te vejo nas esquinas da minha rua, eu te vejo deitado no meu sofá com a minha coberta, eu te vejo ponto de onibus, eu te vejo nas catracas da consolação, eu te vejo nos bares da augusta e no fundo dos meus copos de café quente. Morri e renasci umas 50 vezes só hoje. Meus pés tremem, minha coluna dói e meus olhos ardem. Aceitar tua partida tá mais difícil que convencer eleitor do Bolsonaro votar no PT, parceiro.

Passei a vida batendo no peito que eu to de frente pra qualquer treta, qualquer desafio mas hoje eu rebato meu peito quando ele grita pedindo pra te ligar às 2:40 da manhã de uma quarta-feira. Eu to vivendo meus pesadelos, to encarando viva o desafio de me manter sobre meus pés e esse tá sendo um dos mais complicados que eu já me dispus a encarar de frente. Tô sendo pequena, igual meus olhinhos agora. To sendo frágil igual a ossos de um idoso de 90 anos. To vazia que nem cabeça de facista.

Mas ei de vencer. Ei de crescer.

E espero que você vença daí também.