Cacos

Está caído no chão.
Partido em mil pedaços ou até mais.
Eu olho fixamente para as partes espalhadas no chão.
Como juntar todas, sem que nenhuma fique perdida?
Eu tento pegá-las com as mãos.
Mas, cada caquinho corta meus dedos quando eu tento segurá-lo.
Minhas mãos estavam ensanguentadas.
O vermelho do meu sangue está por toda parte.
As gotas caem das fendas na carne dos meus dedos.
Eu sinto dor.
Dor na ferida aberta.
E reajo a dor com lágrimas.
Lágrimas salgadas que escorrem pelo meu rosto e salpicam o chão vermelho cheio de cacos.
Já faz dias que você saiu e bateu a porta.
E eu continuo aqui.
Parada.
Sem saber como dar o próximo passo, com meus pés descalços, sem pisar nos cacos espalhados pelo chão.
Os cacos não são de um copo.
Não são cacos de um quadro.
Não são cacos de vidro.
Esses cacos.
Cada pequeno pedaço no chão.
É meu coração.
Caído.
Espatifado.
Destruído.
Quando você o deixou para traz, ele caiu.
Espalhado pelo chão.
Centenas de pedaços, como estrelas pelo céu.
Quando a porta bateu atrás de você, eu fiquei só…
Desde então eu tento juntar os cacos do coração partido, espalhados pelo meu chão.
Mas, eu simplesmente não consigo alcançá-los.
Não posso tocá-los.
Não, até a ferida aberta estar curada.
No entanto, a cura se foi com você, quando atravessou a porta.
Correção por: Lauane de Melo
