Vestido Amarelo

Kinha Brandão
Aug 24, 2017 · 2 min read
https://pascalcampion.deviantart.com/art/Quick-lunch-break-doodle-593893483

Eu atirei meu corpo na água e afundei. Deixei a pele arrepiar na água fria da piscina. Segurei o fôlego submerso o máximo que pude. Quando os pulmões começaram a queimar, me lancei pra fora da água em busca de ar.

Eu não tinha certeza se devia vir a essa festa, mas já que eu estava aqui, decidi aproveitar. E como o calor dessa cidade parece ser maior que no Saara, essa piscina veio a calhar.

Quando minha cabeça flutuou sobre a água e, meus olhos abriram subitamente sobre a cascata de cloro que escorria pelo meu cabelo e rosto, eu vi. Um vestido amarelo envolvendo uma mulher de cabelos longos e encaracolados. Segui até a beirada da piscina. Sai furtivamente, sem ninguém notar. Puxei a toalha e sequei o cabelo. Mas, continuei olhando furtivamente pra aquele vestido amarelo.

O corpo dentro dele tinha curvas grandes e firmes, um olhar brilhante e um sorriso acanhado, pernas fortes e grossas.

Seu olhar cruzou o meu. Sustentei e sorri. Então, inesperadamente ela acenou para mim. Veio em minha direção. Estendeu a mão. Mão macia e quente, que eu segurei por mais tempo que normal.

- “Você não vai soltar minha mão?” Uma voz calma e aveludada.

- “Eu não estava pretendendo”, respondi.

Um sorriso. Soltei sua mão.

- “Eu conheço você? Notei que estava me olhando”

- “ Não, mas podemos resolver isso. Tomaz, prazer”.

Outro sorriso.

- “Lara.”

Ofereci uma bebida a ela e passei o resto do dia descobrindo tudo que podia sobre a mulher de vestido amarelo, enquanto me embebedava com seu cheiro de pitanga e hálito de açaí.

Quando o fim do dia chegou e o sol se punha. Eu perguntei:

- “Quer carona pra casa?” Minhas segundas intensões bem explicitas enquanto eu dizia as palavras em seu ouvido enquanto segurava sua cintura.

- “Uma carona seria ótimo”. Outro sorriso.

Meu rosto a 10 centímetros do dela e diminuindo.

- “Consigo ver suas sardas perfeitamente deste ângulo”.

- “E o que mais?” Ela quis saber.

- “Sua boca” Respondi a milímetros dos seus lábios.

Outro sorriso. Um safado, dessa vez.

Sua língua roçou meu lábio inferior.

Fechei o espaço entre nossos lábios em um beijo quente e suave, cheio de tesão.

Quando começamos a ofegar ela segurou em minha mão e sussurrou:

- “Que tal aquela carona?”.

Terminamos a noite gozando um com o outro num emaranhado de lençóis na casa dela.

Gozamos com satisfação entre risos e gemidos, quantas vezes ela quis, enquanto o vestido amarelo assistia do chão, cheio de ciúmes do corpo voluptuoso dela onde queria estar. Em um ápice de prazer que fiquei satisfeito em proporcionar.

Correção por: Lauane de Melo

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Kinha Brandão

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Iguaçuense com orgulho, desde 1987. Amo mesmo, é boa música, séries, os amigos, cantar no chuveiro, os entes queridos, enredos e histórias, boas para escrever.

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