Vestido Amarelo

Eu atirei meu corpo na água e afundei. Deixei a pele arrepiar na água fria da piscina. Segurei o fôlego submerso o máximo que pude. Quando os pulmões começaram a queimar, me lancei pra fora da água em busca de ar.
Eu não tinha certeza se devia vir a essa festa, mas já que eu estava aqui, decidi aproveitar. E como o calor dessa cidade parece ser maior que no Saara, essa piscina veio a calhar.
Quando minha cabeça flutuou sobre a água e, meus olhos abriram subitamente sobre a cascata de cloro que escorria pelo meu cabelo e rosto, eu vi. Um vestido amarelo envolvendo uma mulher de cabelos longos e encaracolados. Segui até a beirada da piscina. Sai furtivamente, sem ninguém notar. Puxei a toalha e sequei o cabelo. Mas, continuei olhando furtivamente pra aquele vestido amarelo.
O corpo dentro dele tinha curvas grandes e firmes, um olhar brilhante e um sorriso acanhado, pernas fortes e grossas.
Seu olhar cruzou o meu. Sustentei e sorri. Então, inesperadamente ela acenou para mim. Veio em minha direção. Estendeu a mão. Mão macia e quente, que eu segurei por mais tempo que normal.
- “Você não vai soltar minha mão?” Uma voz calma e aveludada.
- “Eu não estava pretendendo”, respondi.
Um sorriso. Soltei sua mão.
- “Eu conheço você? Notei que estava me olhando”
- “ Não, mas podemos resolver isso. Tomaz, prazer”.
Outro sorriso.
- “Lara.”
Ofereci uma bebida a ela e passei o resto do dia descobrindo tudo que podia sobre a mulher de vestido amarelo, enquanto me embebedava com seu cheiro de pitanga e hálito de açaí.
Quando o fim do dia chegou e o sol se punha. Eu perguntei:
- “Quer carona pra casa?” Minhas segundas intensões bem explicitas enquanto eu dizia as palavras em seu ouvido enquanto segurava sua cintura.
- “Uma carona seria ótimo”. Outro sorriso.
Meu rosto a 10 centímetros do dela e diminuindo.
- “Consigo ver suas sardas perfeitamente deste ângulo”.
- “E o que mais?” Ela quis saber.
- “Sua boca” Respondi a milímetros dos seus lábios.
Outro sorriso. Um safado, dessa vez.
Sua língua roçou meu lábio inferior.
Fechei o espaço entre nossos lábios em um beijo quente e suave, cheio de tesão.
Quando começamos a ofegar ela segurou em minha mão e sussurrou:
- “Que tal aquela carona?”.
Terminamos a noite gozando um com o outro num emaranhado de lençóis na casa dela.
Gozamos com satisfação entre risos e gemidos, quantas vezes ela quis, enquanto o vestido amarelo assistia do chão, cheio de ciúmes do corpo voluptuoso dela onde queria estar. Em um ápice de prazer que fiquei satisfeito em proporcionar.
Correção por: Lauane de Melo
