Qual foi a Última vez que Escutou o Outro ?

Qual foi a última vez que você ouviu o outro? Provavelmente, há alguns minutos ou horas. Talvez tenha ouvido o barulho dos carros, alguma buzina ou o som da televisão.

E quando foi a última vez que Escutou o Outro? De verdade, escutar sem pré-julgamentos ou sem a necessidade de logo após a escuta, falar tudo o que pensa, sem aquela vontade de dar uma opinião segundo a lógica, quando foi a última vez?

Aqui tento diferenciar o Ouvir e o Escutar e recorro ao Neurocientista Seth S. Horowitz. Ele diz que ouvir é uma ação passiva e compara este ato a um alarme. Já escutar é um comportamento ativo porque requer foco. (ao final do texto coloco o link com o artigo dele publicado no News York Times)

Já dizia Rubem Alves em Escutatória — “Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

Diante de tantas distrações a nossa volta, vamos vivendo numa era onde o mais importante é o que dizemos e não ou o que escutamos. Escutar, verdadeiramente o outro, se tornou um dom. A nossa capacidade de escuta já não é mais a mesma. E como dar bom-dia ao desconhecido ou algum atendente de supermercado. As pessoas estão no piloto automático, quando somos educados e damos atenção a elas, a surpresa torna-se geral.

Entendo que ouvir não é apenas escutar os sons emitidos pelo outro, mas sermos tolerantes e compreendermos que o que é dito, está cheio de crenças, emoções e pensamentos formados pela história de vida de cada um. Somos formados pela família, pelos professores, pela igreja, por alguém que nos identificamos. Mas é necessário lembrar que ao longo de nossa jornada, também modificamos nossa forma de encarar as coisas. E isso só é possível quando escutamos verdadeiramente.

Discordar faz parte, como o silêncio também. Temos a mania de seguir e unir nossa força com quem concordamos, e assim, vamos formandos nossos times, tribos e levamos o dia a dia sem se dar conta, que na realidade, lá no fundo, somos diferentes.

Nossa evolução também depende em escutar o outro. É importante conhecer e reconhecer argumentos de quem pensa diferente. Além de agregar conhecimento, nos ajuda a entender que o mundo é cheio de visões diferentes. Isso significa, também, respeitar a opinião do outro, e ter em mente que nem sempre a verdade está com você. Tudo é discutível. Quem disse que não podemos quebrar paradigmas ou ideias enraizadas.

“Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio.” Pitágoras

Só mudamos, quando abrimos nossas portas e janelas para o outro. Ouvir é um recurso útil para quem deseja evoluir.

Lembre-se que, em muitos casos, o silêncio é ouro. Aproveite o silêncio. Sinta o silêncio. Como em peças de teatro, os grandes atores adoram as pausas e o silêncio. Além de ajudar na dramaticidade da cena, colaboram para ouvir o que o outro ator tem a dizer. Escutar nos dias atuais é uma arte. Você pode começar a exercitar isso hoje, com uma pessoa próxima a você. Observe o resultado.

Para encerrar aqui, nada como o brilhante Rubem Alves que abriu minhas divagações neste texto. “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil”

Clique aqui e acesse a matéria sobre Seth S. Horowitz

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