Obrigado por dedicar um tempo em lê-lo, Samuel!
Greg Candalez
11

1- Teria sido diferente em que sentido? Todos os homens trajando roupas de banho enquanto todas as mulheres usariam roupas sociais? Teríamos todo mundo usando roupas “corretas”? O que é o correto, alias? É um conceito universal? Todos têm a mesma definição? O correto para uma pessoa, independentemente de ser homem ou mulher, é o mesmo correto para outra pessoa? Ou será que teríamos um pouco de cada coisa, para tentar agradar todo mundo, justamente como é agora? ‘SE’ é campo hipotético, baseado em uma não-realidade, logo não dá para saber, e se não dá para saber, não dá pra usar como parâmetro.

2- Como assim, idealização não existe? rs. A ideia é inerente à própria imaginação do autor do que pode ser “perfeito” pra ele, logo ele pode, muito naturalmente, expressar a ideia. Ora, se não existisse tal formulação, não haveríamos testemunhado dois séculos inteiros de romantismo. Por favor. O próprio Ono, na BGS, dissertou sobre o assunto, dizendo que gosta de imaginar os personagens de maneira “ideal”. Logo, sim, muitos deles são feitos com idealização em mente. Gouken é muito, muito velho, porém fisicamente mais avantajado, atraente e “perfeito” do que eu e você juntos, por exemplo. Os velhos são saudáveis e longevos, os homens são fortes e enérgicos, e as mulheres são poderosas e sexys. E olha que, mesmo assim, ainda tem espaço pros gordinhos, pros esquisitões que esticam braços e para as meninas que gostam de roupas mais comportadas. Dá mesmo para reclamar, principalmente quando existem jogos onde a ênfase dos bonecos é quase exclusivamente a de apelar para o sexy, quase que sem exceção? Você realmente consegue definir o roster do SF como hipersexualizado quando temos, logo ali, ao mesmíssimo tempo, algo chamado Dead or Alive?

Aliás, você sabia que Dead or Alive, mesmo sendo VERDADEIRAMENTE hipersexualisado, atrai mais o público feminino do que Street Fighter?

3- O jogo foi feito no Japão. Por que dar um close ali seria diferente se é um ato normal e peralta para eles? Perceba: eles só tiraram por interpretação externa, não deles, e é notável a atual onda global do tal “politicamente correto”, principalmente nos Estados Unidos, um dos nichos principais da franquia. O problema começa quando o politicamente correto é, muitas vezes, raso, incoerente e, obviamente, contraditório. Você já deve ter percebido isso a esse ponto, se for esperto.

4- Logo, o Ryu não foi feito “em resposta” à outras coisas. Como disse, o elenco do jogo tende a ser idealizado.

5- Tem que, usar como argumento o fato da Laura não estar usando uma “roupa ideal para lutar na rua”, sendo uma personagem fictícia, cercada por outros personagens fictícios que fazem a mesma coisa, no mesmo jogo, é apenas incoerente, não procede, não faz sentido. Logo refuta-se o argumento com um contraponto baseado na realidade, e acrescido, sempre, por raciocínio lógico. Veja: quando cria-se um universo fictício, o autor compõe o mundo conceitual em questão com elementos específicos, que ele escolhe, para criar uma certa identidade. Do que o jogo se trata? Street Fighter se traduz literalmente como “Brigadores de Rua”, revelando-se um universo de ambiente urbano, baseado no nosso mundo e realidade, mas também romantizado com poderes e etc, possuindo desde caras verdes da Amazônia, passando por karatecas marombados do Japão e halterofilistas, até Ditadores com poderes psíquicos. Quer dizer, estando em um universo onde temos um líder Iluminati lutando de cuequinha grega, por que seria difícil imaginar uma “garota de Ipanema”, em pleno calor do rio, vestindo roupas que várias garotas usam por aqui, lutando jiu-jitsu? Lembro-me que SF-5 passa-se mais ou menos nos anos de 1995–96. Tínhamos o que por aqui na época? ‘É o Tchan’? Street Fighter é apenas um reflexo simples e estereotipado de basicamente todas as nações do mundo (NÃO apenas do Brasil, importantíssimo dizer). Me parece lógico não atribuir ódio sexista à Laura sendo que ela não é culpada pela realidade do país. Quer dizer, o dia em que o Brasil for, de FATO, um lugar sem as coisas que você parece não gostar, será o dia em que eles também vão retratar essa outra realidade. Por enquanto eles estão, apenas, certos, e fazer uma Laura comportada não mudaria o fato de que existem as famosas belas mulheres brasileiras, ou até as ditas “periguetes”, por aqui.
“Mas o Brasil não é só isso”. Eu sei, e eles também. É por isso que já tivemos outros cartões postais retratados, e até não-cartões também. Porto de Santos, uma rua de São Paulo, uma Caverna em algum lugar rural…

6 e 7 — Sim, o belo sempre vai existir apesar da mudança do “que é” belo através do tempo (foi o que eu mesmo disse ali em cima hehe). Logo, por que faria sentido reclamar e não querer mais o idealizado sendo que é algo tão intimamente ligado à nossa natureza? É como reclamar que o ser humano anda andando muito bípede ultimamente, rs. Street Fighter é um jogo de personagens idealizados, para ambos os sexos, e é um enorme sucesso por isso. Como o idealizado sempre vai existir, com ou sem politicamente correto, Street Fighter faz bem em manter-se fiel à sua própria identidade.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Samuel Cazetta’s story.