E então, neste Museu Natural do Mundo, existe essa tal parede. Parede esta de fronteiras gigantes, onde desde seu início até seu extremo ela te oferece um momento para apreciar e tocar.

Pelos pintores ela foi considerada uma parede de tons vivos, de beleza exuberante, rica e feita sobre pedras preciosas. Uma obra natural sem igual.

Até que um dia a reforma chegou. Seus baldes de tinta branca e suas lixas já se preparavam, e mesmo sem saber o resultado, se aventuraram em desbravar e colonizar a parede.

Por alguns instantes os líquidos se rejeitaram, o branco não se misturou as cores únicas que ali estavam. Os pintores chamaram as cores dali de “preguiçosas”. Mas não demorou até que mais tinta branca viesse ajudar na reforma, principalmente quando se descobriu que naquela parede havia tons de ouro. Foi então que os homens começaram a lixar as camadas da bela superfície, e com cada vez mais facilidade os tons únicos foram se tornando mais suaves, e assim se misturando mais e mais com o branco.

Quanto mais os pintores adentravam aquela imensidão de cores, mais complicado se tornava a extração dos tons. Usar o preto para auxiliar nesse trabalho foi a solução, pois apesar de tão comum e forte quanto o branco, o preto era praticamente um tom que servia para realizar todo o trabalho pesado nas paredes. Pediram muitos litros de tinta preta para o serviço, tanto que as caminhonetes vinham lotadas, tão lotadas que algumas tintas derramavam, secavam.

O preto entrou com força bruta na reforma. Enquanto o branco apenas finalizava, o preto abria caminho. E a parede seguia o processo de se tornar totalmente branca.

Branco que, convenhamos, não tinha mais suas características também. Toda aquela imensidão de cores foi transformando a tinta que a sobrepunha. Nem o preto se contentou com seu serviço e resolveu tentar se misturar das diversas formas possíveis.

Eram mesclas perfeitas, em uma parede que de fato era viva, com identidade plural.

Passaram anos, décadas, séculos, e até hoje poucos entendem a beleza da parede. Mesmo que as cores ainda não se entendam bem, mesmo que o tempo não tenha sido suficiente para torná-las únicas, aquela parede, do Museu Natural do Mundo, nunca mudou.

As reformas só fizeram ela criar mais histórias, pois as camadas de tintas usadas, são as mesmas para todos os cantos da superfície plana.

Não há cor sobre cor, apenas tons diferentes de uma mesma arte.

L.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.