Cúmplices da Arte Autoral reúne artistas de vários segmentos no Musa

A segunda edição do evento ocorreu no último fim de semana e já tem data para o último ato.

Jullie Pereira e Alessandra Taveira, especial para o LabF5

Os artistas (Carlla Vicna, Otoni Moreira de Mesquita, Robert Ruan e Samantha Karlia) tiveram a oportunidade de falar sobre suas trajetórias e criações (Foto: Jullie Pereira)

Mesmo com um cenário complicado, ainda há quem tente remar contra a maré, desenvolvendo projetos que disseminam um tipo de cultura que não é a preferida do grande público. É o caso do projeto “Cúmplices da Arte Autoral” realizado no último final de semana (22 e 23/9) no Musa do Largo de São Sebastião. O evento reuniu artistas de diferentes âmbitos, como a poetisa Carlla Vicna, o artista visual Otoni Moreira de Mesquita, o violonista Robert Ruan, a artista plástica Samantha Karlia, o percussionista Andrio Dias, a Orquestra Puxirum e o músico Lucas Passos — também idealizador do projeto.

A programação, que contou com a representação da arte em seus diferentes tipos, incluía atividades para vários públicos, como exposição de pinturas, poesia recitada, música acústica, orquestra e sorteio de brindes. Os artistas tiveram a liberdade de explicar suas inspirações, de falar sobre seus escritos e fazer agradecimentos.

Lucas Passos, músico e idealizador do evento “Cúmplices da Arte Autoral” (Foto: Jullie Pereira)

O músico e idealizador do projeto, Lucas Passos, falou sobre o intuito do evento: “Tentamos agregar artes diferentes, com visões e até épocas diferentes. Acredito que a falta de união entre os artistas é um problema.”

Carlla Vicna, que escreve através de posts na web, por meio do perfil “Um Texto/ Uma Poesia” no Instagram, falou sobre sua participação: “Precisamos trazer de volta a produção literária amazonense, os jovens poetas. É incrível ter esse espaço, se não fosse o ‘Cúmplices’ eu não teria oportunidade.”

Obra em exposição durante o “Cúmplices da Arte Autoral” (Foto: Jullie Pereira)

O projeto não contemplou apenas os artistas. O evento agradou e despertou a sensibilidade artística no público que compareceu e apreciou a arte autoral amazonense. “O projeto autoral tem sido muito importante, porque aproxima as pessoas que gostam desse tipo de arte.”, ressaltou Bruna Freire, que esteve no último dia do ato.

Há quem diga que não existe produção cultural na cidade de Manaus. O “Cúmplices” vem mostrar que não só existe produção artística e cultural como também há artistas engajados em tocar o público e movimentar aquilo que pode vir a ser uma espécie de novo “Clube da Madrugada”, movimento criado em 1954, que reunia artistas e intelectuais do Amazonas na Praça da Polícia. Ainda que se iguale ao Clube, a vertente abordada pelo Cúmplices vai além da escrita, do poema, do literário. O projeto consiste em integrar — e unir — artistas que fazem arte em diferentes seguimentos a fim de canalizar a criatividade local.

Ainda que com a falta de um lugar para reuniões, os artistas e intelectuais que passaram pelo Clube da Madrugada contribuíram para renovar a cultura e as artes do Amazonas colocando-as em sintonia com novos ideais e reflexões trazidos pelo Modernismo, desde os anos 1920, numa época em que pouco — ou quase nada — se via do que era concebido aqui.

Mais sobre o “Cúmplices da Arte Autoral”

O projeto foi divido em três atos. O último acontecerá nos dias 22, 23 e 24 de Novembro, no Centro de Artes da Ufam, situado na rua Monsenhor Coutinho, no Centro de Manaus. Você pode encontrar mais informações no perfil do Facebook do músico Lucas Passos, idealizador do projeto.

Público prestigiando o evento (Foto: Jullie Pereira)

O evento cumpre com a proposta de evidenciar a arte em seus diversos tipos, mas se diferencia essencialmente por viabilizar o contato do público com o que é produzido na Região Norte. A expressão de uma cultura através de manifestações artísticas foi o legado deixado pelo evento. Sendo assim, quando prestigiamos essas manifestações, enriquecemos a forma como vemos o que nos é apropriado e dado como nosso. O projeto elucida o que José Aguiar já mencionara no livro “Manaus: praça, café, colégio e cinema nos anos 50 e 60” (Editora Valer): “a arte não se coaduna apenas com o belo, mas identifica e reflete o seu momento.”

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