“Movimento Sem Terra”: Exposição traz luta social à Zona Norte de Manaus

Mostra reúne imagens do fotógrafo Sebastião Salgado, que acompanhou o MST por quase quinze anos.

Gabriel Veras, especial para o LabF5.

A exposição traz a imagem de figuras cotidianas do Movimento Sem Terra (Foto: Jullie Pereira)

A sala Coletiva das Artes recebe desde o dia 26 de setembro a exposição “Movimento Sem Terra”, que traz ao grande público a história de quinze anos da luta dos trabalhadores rurais pela reforma agrária a partir de imagens do fotógrafo mineiro Sebastião Salgado.

A mostra é uma iniciativa da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), e reúne quinze fotografias pertencentes ao acervo da Pinacoteca do Estado, sob a curadoria do fotógrafo búlgaro Roumen Koynov, radicado em Manaus há mais de vinte anos.

Segundo a guia da exposição, Cecília Ferreira, a seleção destaca o talento de Sebastião Salgado, evidenciada pela combinação de composições precisas e imagens em preto e branco. O olhar sobre o movimento organizado dos trabalhadores rurais, que já chegou a reunir quase cinco milhões de famílias, transmite ao público uma imagem humanizada do grupo.

Sebastião Salgado descobriu a paixão pela fotografia na década de 1970, quando fazia uma viagem de trabalho à África. Pouco depois, ganhou o mundo com seu trabalho e, como quem não quer nada, tornou-se um dos maiores referenciais do fotojornalismo internacional.

A fotografia de Sebastião Salgado mantém um foco humanitário aliado a um olhar voltado para a descoberta da figura humana, das culturas, das emoções e sentimentos que extrapolam o enquadramento das imagens e refletem a complexidade e as questões sociais que envolvem o ser.

Exemplo disso é a seleção de imagens que capturam o dia a dia das famílias de trabalhadores rurais nos primeiros anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) mas poderia muito bem ser um flagrante das atuais disputas por terra no Brasil.

A ideia das fotos é mostrar a realidade de dezenas de famílias que estão inseridas no MST (Foto: Jullie Pereira)

Sobre o movimento, o próprio Sebastião Salgado afirmou em “Da minha terra à Terra” que seguiu as reivindicações do grupo por quase quinze anos. “O MST recenseou todas as terras improdutivas do país. Ocupando-as, tentava obrigar o governo a comprar aquelas propriedades para redistribuí-las aos camponeses desfavorecidos.”

Sobre o movimento, o próprio Sebastião Salgado afirmou em “Da minha terra à Terra” que seguiu as reivindicações do grupo por quase quinze anos. “O MST recenseou todas as terras improdutivas do país. Ocupando-as, tentava obrigar o governo a comprar aquelas propriedades para redistribuí-las aos camponeses desfavorecidos.”

Segundo a professora Kátia Vallina, especialista em políticas públicas habitacionais, a exposição através da foto denúncia busca sensibilizar as pessoas que ocupam os centros urbanos para a questão do processo migratório, do êxodo, das ocupações justamente em um local que tem essa relação. “A ocupação desenfreada advinda da Zona Franca atinge justamente as zonas Norte e Leste da capital e, por consequência, há uma segregação do espaço urbano”, ressaltou.

Para ela, a luta urbana é uma luta antiga. “A Constituição de 1988 já assegura o direito à propriedade social, de forma a garantir o direito à cidade, para que a cidade cumpra sua função social. E essa é a luta destes movimentos sociais — a luta pelo direito à terra”.

“A importância dessa iniciativa se dá no sentido de desconstruir uma imagem estereotipada acerca do movimento. O que nós vemos hoje é uma tendência forte de criminalização dos movimentos sociais, com grande apoio popular. Há uma onda que visa reprimir, perseguir quem levante essas pautas, que são reivindicações válidas”, denuncia.

“Essa imagem se dá a partir de um preconceito com a classe trabalhadora e se dá porque esse é movimento um movimento de luta por direitos, que questiona, por princípio, as bases da sociedade capitalista, a concepção de cidade para poucos, cidade para privilegiados.”
Prof. Kátia Vallina
A sala “Coletivo das Artes” visa inserir a população manauara que se encontra longe dos centros culturais da cidade (Foto: Jullie Pereira)

A exposição é aberta ao público em geral e vai até o dia 26 de novembro na sala “Coletiva das Artes”, no Sumaúma Park Shopping, com visitação gratuita todos os dias, no horário de funcionamento do centro de compras.