A transformação das minorias e o impacto no mercado

LabJuntos
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Jun 9, 2017 · 3 min read

Por Daniele Mendes

As pesquisas de mercado sempre levaram em consideração a opinião da maioria para ditar tendências, continuar ou descontinuar produtos, verificar aceitação de marcas, redefinir estratégias de atuação e por aí vai… Mas o que fazer quando o mundo que conhecíamos, “binário”, começa a sofrer transformação? Como agir quando o ser humano passa a exigir ser considerado como ele realmente é, em toda sua complexidade — o que inclui convicções e crenças –, não apenas ser observado por indicadores como gênero, idade e classe social? Como lidar quando a resposta deixa de ser certo ou errado?

O desenvolvimento da tecnologia, que tem permitido consideráveis avanços em termos de relacionamento entre as pessoas, acesso a informações, criação de novos negócios, também tem contribuído para a geração de novos contextos e, consequentemente, para mudanças de comportamento. Aí, deixamos de ter uma realidade rígida para experimentarmos uma realidade sobreposta, em que o ser humano se apresenta em camadas — e nos vemos obrigados a lidar o tempo inteiro com conflitos e antagonismos que antes não eram tratados com diálogo. Simplesmente eram deixados de lado, adormecidos.

Estamos falando das minorias. Temas como sustentabilidade, diversidade, gênero, longevidade e outros mais, que faziam parte de uma realidade “distante”, sem muito peso nas grandes decisões, agora precisam ser discutidos de verdade, com diálogo, transparência. Mais que isso: precisam estar no centro dos negócios. Em palestra no LabJuntos, promovida pela Juntos, a experiente publicitária e consultora Ana Cortat afirmou que no cenário atual não cabe mais uma atuação unilateral de marcas e empresas — atuar em “caixas separadas”, como ela disse –, é necessário atuar transversalmente.

Isso significa passar a ouvir, de fato, o que a minoria tem a dizer. Estamos vivendo o valor dos pequenos números, e algumas decisões já estão começando a ser tomadas em favor desses grupos, que hoje têm grande poder de influência devido à tecnologia. Vimos, recentemente, mais de 15 importantes marcas se posicionarem contra o decreto de Donald Trump, que impede a entrada de cidadãos de países muçulmanos e refugiados nos Estados Unidos. Ford, Starbucks, Facebook, Airbnb, Amazon e Apple foram algumas delas.

Outro exemplo é o crescimento de veículos de comunicação voltados para públicos que prezam a cultura nerd ou geek, tão excluída anos atrás. E o que dizer do boom dos orgânicos? O aumento do consumo por alimentos mais saudáveis aconteceu independentemente de mídia e divulgação maciça das marcas. Foi pelas pessoas, pela comunicação boca a boca, pelo compartilhamento nas redes e pela realização de eventos pontuais. Isso a nível mundial!

Nesse cenário de realidades sobrepostas, temos uma gama de contrapontos: comunidades x comunidades interconectadas; duas opções de gêneros x 31 opções (registro recente de Nova York); família tradicional x núcleos sociais de pessoas vivendo sob o mesmo teto; realidade física x realidade móvel, com o uso do wifi. As pessoas não são rígidas, lineares. Então, sim, as empresas devem ter pontos diferentes de observação e conflitos.

E numa realidade em camadas, a Comunicação tem papel fundamental, justamente porque ela vai ajudar a lidar com a formação e criação de novos valores, considerando as opiniões da maioria, claro, mas também da minoria. É trazer o conflito para a mesa de negociações e tomada de decisões, é ajudar a lidar com o problema. A responsabilidade para quem é de Comunicação é muito grande, pois deve sugerir e discutir modelos de consumo, dialogar sobre a consciência da intencionalidade da mudança e agir para realmente transformar comportamentos de organizações. A comunicação legitima, constrói, influencia o comportamento e precisa, sim, estar no centro dos negócios.

E aí, vamos fazer parte dessa mudança e ajudar a transformar comportamentos de quem toma as decisões nas corporações? Vamos levantar a bandeira da consciência nos negócios, visando não só a manutenção das marcas, mas fazer isso principalmente pelas pessoas.

#LabJuntos #3 com Ana Cortat
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