Mundo Fashion Mais Consciente

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Jul 31, 2017 · 4 min read

Como a indústria da moda está se reinventando e ganhando destaque nas conversas sobre sustentabilidade e representatividade

Por Julia Costa

Você já se perguntou quantas peças de roupa possui no seu armário? Quem as produziu? Em que condições? Se sua produção prejudicou o meio ambiente? Ou já se perguntou quantas peças de roupa ou acessórios compra por ano? Mais do que isso, você já pensou na relação que a moda tem com conceitos como sustentabilidade, identidade de gênero, responsabilidade social? Assim como muitos outros mercados, a indústria da moda tem se reinventado diariamente para se adaptar às mudanças culturais e comportamentais da sociedade. Se por um lado ela gera, somente no Brasil, cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e 8 milhões de empregos indiretos, por outro ela é também responsável por produzir mais de 9 bilhões de peças por ano num país de apenas 200 milhões de habitantes, onde a maioria das pessoas mal consegue adquirir o que precisa para sobreviver.

Discrepâncias como esta estão longe de acabar, mas podemos dizer que finalmente há um forte movimento acontecendo neste sentido. Na última semana, o LabJuntos recebeu a consultora de estilo e co-criadora do site RioEtc, Renata Abranchs, para um bate papo. Com a participação de convidados de diversos setores, ela apresentou uma série de iniciativas de marcas que se reinventaram ou que já nasceram neste ambiente onde sustentabilidade e representatividade são conceitos mandatórios. Não, não quer dizer que você precise colocar o seu armário abaixo e se desfazer de todas as peças que não usa há mais de um mês, ou que precise entrar num projeto onde utiliza por três meses somente 33 peças, entre roupas e acessórios, nem que precise percorrer o país contando sua história sobre como conseguiu passar um ano vivendo apenas com o que levava em uma bagagem de mão, bem no perfil “Os Minimalistas”. Mas quer dizer, sim, que não só você, mas muitos dos seus amigos e pessoas que conhece já fazem escolhas de consumo considerando não só o produto em si, mas principalmente a história o acompanha.

Seja porque a marca utiliza matéria-prima já existente, adotando o conceito do Upcycling; seja porque ela não faz diferenciação de gênero, produzindo roupas para serem usadas simplesmente por pessoas; ou porque ela tem um forte esquema de logística reversa, garantindo o menor impacto ambiental possível; ou porque ela gerou dezenas de empregos para uma comunidade carente do interior do Brasil. É essa marca que está ganhando a atenção das pessoas ao redor do mundo, conquistando o coração dos consumidores e assumindo um papel primordial nas mudanças culturais que estão transformando a moda.

E não é simplesmente porque os stakeholders do mundo fashion são pessoas do bem — embora seja também por causa disso. É porque, hoje, além dos concorrentes que sempre estiveram ali incomodando no market share, as marcas concorrem, ainda, com este novo paradigma, concorrem com infinitos aplicativos, com movimentos sociais, manifestações culturais e com inúmeras outras mudanças que vêm acontecendo no mundo.

Essas adaptações são vistas em momentos diversos da cadeia de consumo. Como na contratação, treinamento e remuneração dos funcionários, por exemplo. O trabalho escravo é um extremo, mas ao longo dos anos inúmeros escândalos de trabalho abusivo foram relatados pela imprensa dentro da indústria da moda. Hoje, muito mais que uma pessoa que está em busca do primeiro emprego, os empresários do setor buscam pessoas que tenham empatia, que não vistam apenas a camisa, mas a alma da marca. Ter costureiras assinando as etiquetas já é o básico. Hoje, os funcionários são protagonistas e os consumidores enxergam neles as escolhas que fazem.

O mesmo acontece na aquisição de matéria-prima para a produção das peças. Conceitos como o Upcycling e logística reversa são extremamente valorizados e já muito bem executados por marcas que têm ganhado reconhecimento internacional por essas escolhas. A preocupação com o meio-ambiente vai além da simples ecobag e da fibra de bambu. O consumidor tem mais informação e espera atitudes mais profundas neste sentido.

Paralelamente, vemos surgir novos modelos de negócios, mais sustentáveis, mais possíveis, principalmente quando vivemos em um país como o Brasil, onde acontece uma das piores crises política e econômica da nossa história. Co-criação, co-working, inovação e criatividade ajudam consideravelmente neste processo de sustentar a economia.

E por último, mas não menos importante, o cenário não só facilita, mas estimula a conversa sobre empoderamento feminino, identidade de gênero, padrões de beleza e inclusão em todas as suas possíveis abordagens. O trabalho que vem sendo feito neste sentido é maravilhoso e o que vemos todos os dias são não só pequenos, mas grandes players assumindo seu posicionamento e bancando-o, independente da represália que recebem depois disso. É como se eles dissessem: eu prefiro perder o seu dinheiro a ter que concordar com uma posição preconceituosa ou que vai de encontro ao que eu acredito.

Não será de um dia para o outro que vamos chegar onde queremos, no consumo realmente consciente em todas as suas possibilidades. Mas com muito trabalho, dedicação, estudo e sensibilidade para entender o outro. Algumas pessoas chamam de empatia, mas nós sabemos que é muito mais que isso.

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Diálogo, ideias, propósito, marcas, projetos e pessoas. www.agenciajuntos.com.br

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