Um manifesto pela transformação: Regina Migliori no LabJuntos

Por Marcelo Vieira

Estamos vivendo não só um momento de mudanças aceleradas, mas um momento inédito na história da humanidade. Aprendemos que dependemos mais uns dos outros do que pensávamos ou mesmo gostaríamos. As conexões entre pessoas, culturas, países, modelos de conhecimento e de trabalho são cada vez mais interdependentes e alcançam todos os aspectos da nossa vida.

A palavra global tornou-se mais do que um simples termo: ela define o tamanho da maioria dos nossos desafios. Nossa crescente interdependência traz para a cena a necessidade de fazer escolhas que tenham impacto mundo afora, não mais como indivíduos, mas como espécie, como humanidade.

É neste contexto que precisamos entender a natureza das transformações e de que maneira nossas ações produzem impacto sobre elas. De outra forma, corremos o risco de alcançar resultados muito diferentes dos que esperamos e do que o mundo necessita para conquistarmos mudanças benéficas que apoiem inovações capazes de trazer bem estar e justiça social. A forma como tomamos decisões, cada um de nós, as empresas, as instituições que atuam nas mais diferentes áreas, nunca foi tão relevante. Quais elementos consideramos para definir o que fazer? Como atuar? Onde investir?

Um exemplo de decisões relevantes é a área de educação.

Vivemos em um momento altamente dinâmico. Nele, não há mais espaço para uma educação estática, reprodutora de um modelo com foco exclusivo em conteúdos e títulos acadêmicos. Nesse cenário, somente o diploma não basta. Aliás, ele perde cada vez mais importância para a qualificação em ferramentas e certificações com abordagens globais e transdisciplinares.

O novo modelo exige a ampliação da visão do ser humano sobre si mesmo: descobrir e desenvolver novas potencialidades, acionar cérebros, mentes e consciências de forma mais criativa, flexível, inteligente e harmônica. Oferecer programas, metodologias e processos educativos que habilitem os estudantes a lidar com novas questões, sob a ótica pessoal e global. Sua escola já começou a fazer isso?

Nesse contexto, a informação e o conhecimento que nasce dela passam a ser complementados por um terceiro fator que estimula a utilização de ambas de maneira ética e benéfica, isto, criar impacto positivo: a sabedoria.

A boa notícia é que, apesar de tudo, até por uma decorrência da evolução, a humanidade caminha, ainda que lentamente, para se tornar mais sábia. O mundo hoje, por muitos que sejam os desafios, possui mais sabedoria e potencial ético do que há um século. Isso é fruto também de uma transformação: essa de cada um e de todos, singular e global, presente e perene.

Empresas e negócios vem mostrando que é possível atuar de forma transformadora. A Cisco, pioneira de um movimento colaborativo entre o seu escritório em Israel e muitos jovens palestinianos com competências tecnológicas, ou a IKEA que investe em parceria com o ACNUR em campos de refugiados pela Europa.

Negócios de impacto social não podem ser encarados como modismo, mas como uma necessidade de sobrevivência da humanidade e de renovação do capitalismo.

Foto: Regina Migliori à esquerda, e Marta Porto (diretora executiva da Juntos)