Um oásis no meio do caos

LabJuntos
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Oct 2, 2017 · 4 min read

Por Cintia Magalhães

Depois de uma semana com tantas notícias ruins: guerra na Rocinha, desigualdade social aponta que os seis bilionários mais ricos do Brasil detêm a mesma riqueza e patrimônio que os 100 milhões de brasileiros mais pobres e a educação registra que a metade dos brasileiros adultos não conclui o Ensino Médio e salários dos professores continuam baixos, uma boa notícia surge para dar um alento ao caos. Existem pessoas que estão realmente preocupadas com o futuro dos negócios, com a relação das empresas com o meio ambiente e ainda querem fazer o bem.

O oitavo encontro do LabJuntos, projeto de formação colaborativa da Agência Juntos, realizado no dia 27 de setembro, com o tema Lucro do benéfico: os negócios de impacto social, reuniu ONGs, Sistema B, empresas privadas e a Tamboro Educacional. O que era para ser uma conversa sobre o lucro, se transformou em um grande bate-papo sobre as possibilidades das novas economias, novos mercados e redes de boas ações que podem criar soluções em conjunto para atingir um grande público, com apoio da tecnologia.

Após todos concordarem que os recursos são finitos, que somos o segundo país com a maior perda de floresta nos últimos anos, que consumimos 1,5 vezes a mais da capacidade de regeneração do planeta e que os recursos são mal distribuídos, a discussão ampliou para as soluções que já existem hoje, porém ainda restrita a um público que está em busca de fazer a diferença e que as empresas terão que mudar para sobreviver.

Mas, fazer o bem pode gerar lucro? Uma empresa pode ter a geração de impacto social positivo como seu principal objetivo e, ainda assim, ser rentável? Um grupo de quase 2 mil empresas no mundo inteiro, 69 delas no Brasil, têm respondido a essa pergunta com um grande sim.

A lógica desses empreendimentos, conhecidos como negócios sociais ou de impacto, é exatamente a de oferecer, a preço justo, um serviço ou produto que vai melhorar a vida das pessoas. As práticas adotadas durante o processo também são importantes, as pessoas, o planeta e a sociedade precisam ser respeitadas e auferir benefícios da iniciativa.

A gestora da área de educação e treinamento empresarial do Sistema B Brasil e Colíder do Rio+B, Gabriela Valente, definiu o cenário em que surgem os negócios sociais como “um momento de transição, existem muitos caminhos e temos que fazer alguma coisa. O mundo mudou e não para de mudar. O mercado também está mudando. As pessoas precisam desenvolver negócios e habilidades para o novo momento”.

O Sistema B é uma ONG que capacita e certifica empresas que desejam se tornar negócios com impacto social. Segundo Gabriela, o objetivo é propor “um movimento de pessoas que usam a força dos seus negócios para causar impacto positivo na sociedade”.

A principal ferramenta de acompanhamento dos negócios sociais e a avaliação que é feito para os processos de certificação ou, simplesmente, de diagnóstico do impacto criado atualmente pelo negócio. A avaliação do negócio é gratuita e qualquer empresa pode realizar. Após o processo de identificação do impacto social da empresa, ela pode dar continuidade para se certificar ou buscar ferramentas para melhorar sua posição como uma empresa que tenha como objetivo a transformação da sociedade através do seu negócio.

Um exemplo de negócio de impacto social, embora ainda não certificado com o selo do Sistema B, é o da Tamboro Educacional, que também participou do LabJuntos.

Transformação de habilidade é o que a Tamboro Educacional propõe. Focada em soluções para desenvolvimento de habilidades e competências fundamentais em um mundo em constante mudança como a resolução de problemas, pensamento criativo, comunicação, entre outros. Tudo isso em um ambiente com games e algoritmos que garantem precisão no desenvolvimento e avaliação da aprendizagem de cada usuário, de forma personalizada. “Nosso objetivo é fazer da ferramenta que se transforme em uma alavanca de mobilidade social”, explica a co-fundadora e sócia da Tamboro Educacional, Maíra Pimentel.

Maíra ainda revelou que o próximo passo da Tamboro é disponibilizar online e gratuito uma ferramenta de treinamento para jovens que tenham como resultado a inserção no mercado de trabalho. “Iremos desenvolver as competências necessárias para o mercado e este será responsável por captar os jovens e dar oportunidade para eles. Muitas vezes, as pessoas desistem porque não se sentem capazes de realizar seus desejos”, afirmou a sócia da Tamboro.

Impactados com as novidades e com muitas ideias para compartilhar, os participantes do encontro, apresentaram casos pessoais como o do negócio social Juçaí Orgânico que já conquistou a certificação do Sistema B. A empresa nasceu com o propósito de recuperar a Mata Atlântica, e ainda vê muitas possibilidades de desenvolvimento ambiental no Brasil. “Ainda é um processo difícil, as pessoas demoram a se envolver, mas acredito que se unirmos forças com o mesmo pensamento de um negócio transformador conseguiremos muitos resultados positivos”, conta Lucas Veloso, sócio da empresa.

No fim do encontro, os participantes se uniram para criar uma mobilização que envolva a área de educação, meio ambiente e social em busca de alerta à população sobre a necessidade de união de forças em busca de um mundo diferente.

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