Rodoviária Novo Rio, muitas viagens, muitos péssimos motoristas. Foto: InformeTaxi

Táxi, roleta russa e tiro

ou porque o serviço de transporte particular de passageiros precisa se reinventar

Cada péssimo motorista de praça, é mais um prego no caixão do serviço de táxi da forma como é prestado hoje.

Enquanto isso, os sindicatos, cooperativas e os próprios motoristas estão procurando mais fiscalização, regulamentação e “combate aos ilegais”. Desculpem amigos, seu ludismo contra alternativas que visam dar qualidade ao serviço de transporte privado de passageiros não está encarando o problema.

Cada táxi, na perspectiva do passageiro, é uma pequena roleta russa. Risco de vida é uma das variáveis possíveis. Outra, bem mais comum é receber um tratamento mais grosseiro do que pedir carona para um parente ranzinza.

Mesmo com todas as regras, nenhuma grande cidade do mundo é capaz de encarar a tensão pré-embarque, aquele momento de entrar no carro de um completo desconhecido depois de fazer sinal na rua ou entrar na fila do aeroporto ou da rodoviária.

Mesmo assim, pequenos diante do problema, os taxistas são representados por figuras asquerosas de um corporativismo violento. Ou simplesmente se preocupam com os "ilegais" e as corridas "no tiro", combinadas sem uso do taxímetro.


Domingo de sol, ainda é cedo. Bom momento para aproveitar a #PaulistaAberta. Entre caminhar ladeira acima e uma viagem curta de táxi, o conforto motorizado é uma opção.

Sempre sou reticinte em entrar nos veículos de placa vermelha dotados de taxímetro e um motoristamas tem um parado no ponto.

Carrinho de bebê, patinete, esposa grávida, criança pequena e pai já estão a bordo.

  • Vamos para a Paulista, pode subir a Campinas.

A experiência começou desfavorável mesmo antes do embarque. Ao invés de ajuda em colocar as tralhas pra dentro, um comentário rabugento ao perguntar se o carrinho não dobrava. Corrida que segue.

  • Não sei se a Paulista já não está fechada… — o chofer comenta no caminho.
  • Ela já está aberta, por isso estamos indo pra lá! — respondo animado.

(Silêncio).

No desembarque, nem ao menos um pisca-alerta ligado ganhamos de brinde. O motorista virou na Santos, parou o carro, recebeu o dinheiro, arrendondou o valor pra cima em extorsivos cinquenta centavos e pronto. Serviço prestado.


Em São Paulo, na teoria, o Departamento de Transporte Público (DTP) fiscaliza os motoristas e aceita denúncias. A estrutura de poder e de fiscalização na operação do serviço de táxi não permite tantas esperanças de que o serviço melhore no curto prazo. De toda forma, os canais estão abertos:

Departamento de Transportes Públicos (DTP)
Por e-mail: [email protected];
Por telefone: (11) 2692–3302; 2291–5416; 2692–4094
Por whatsApp: (11) 97205–7142


Já no Rio de Janeiro, a aventura de pegar um táxi é rotina de pequenos e grandes achaques. Um série de TV mostra um pouco de como funcionam esquemas de "pega gringo" dentro e fora dos carros.

A "nova economia" de aplicativos e prestação de serviço intermediada pelo celular resolve o problema para os "early adopters", antenados em sobreviver em meio às maladragens.

Só chegaremos a revolução de fato, quando a senhorinha do bairro preferir passar a mão no celular e abrir um aplicativo, ao invés de ligar para o número do ponto de táxi da esquina.