Garota incomum

Era uma adolescente que não se preocupava se era bonita, não ligava para o seu cabelo desalinhado. Gostava de jogar bola e jogar conversa fora na calçada. Não pensava em namorado, nem beijos nem nada disso. Gostava mesmo era de subir em árvores, olhar as nuvens e sua única frustração era não conseguir contar as estrelas.
Desde que acordava até a hora de dormir, ela entrava no seu mundo e permanecia lá, mesmo em seu sono. Tinha rostos diferentes e pulava de um dia chuvoso para um dia ensolarado. Mudava do suspense intrigante para o romance melado. Ora a cavalo, ora numa moto potente. Sempre com a trilha sonora que vinha de seus fones de ouvido, coisa que quem via de fora, achava esquisito.
Percebeu que o tempo passou (e ela cresceu) quando se viu esposa e mãe. Acabou por fazer adormecer dentro de si aquele amor pelas coisas simples. Tinha obrigações a cumprir e assim anulou seus sonhos e devaneios.
Mas tão logo o amor partiu seu coração, a dor despertou dentro dela aqueles desejos, aquelas bobagens e anseios quase infantis.
Aos poucos ela retorna ao seu mundo imaginário tanto lendo quanto escrevendo, ao som do piano e guitarras, baterias e violinos.
Continua cumprindo seus deveres, porém, voltou a ser como aquela velha adolescente despreocupada e ausente. Está de volta ao seu próprio lugar sem que precise estar nos padrões de ninguém, nem na aparência, nem no seu modo de ser.
Ela se sente livre novamente, no pacífico e prazeroso mundo em sua mente.

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