Mesmo nas curvas de desentendimento e nas estradas da solidão de mim mesma, reconheço que não me conheço tão bem quanto antes, e que o tempo como todos dizem deixam as coisas com o nível de dificuldade elevado. Reconheço que não sei amar, e não é pelo fato de que na maioria das vezes nunca fui correspondida nesse tipo de sentimento aguçado pelo cérebro humano. Pelo que eu ando sabendo do amor, ele é aquilo de se amar um dia e desamar dois, ele é como a energia de um átomo que precisa se equilibrar entre partículas subatômicas negativas e positivas para poder sustentar a si mesmo. Reconheço que precisei usar rótulos em muitas coisas do infinito para perceber o quão inúteis eles são. Pessoas se sentem seguras quando acham que estão assumindo o controle de rotulação, mas não é bem assim. Por exemplo, em um relacionamento, não precisamos usar a palavra namorados para amar menos, cuidar menos, distinguir menos e sentir menos. Acredito que desse modo não precisamos explorar situações constrangedoras como “término de namoro”. Dessa maneira, sei que ser livre para amar e reivindicar continua sendo uma opção. Reconheço que me aprofundei na mais intensa solidão, crendo que desse modo me conseguiria ver livre do mar de sentimentos impetuosos que impera sobre meu ser. Precisei acreditar na verdade e ir contra todos os conceitos que aprendi a construir, para perceber que isso não funcionaria. Reconheço que estou perdida, não sei quem sou, quem deveria ser, muito menos quem fui. Acredito na teoria de que me perdi no passado, e o futuro ofereceu-me uma chance de recriação, e o agora é apenas um borrão que nunca deve ser deletado dos momentos de recordações.