A geração que não discute

Ao ler o titulo você certamente pensou: “como assim nossa geração não discute? O que mais temos na internet é discussão, e dos mais variados tipos.” O que temos hoje na internet, na vida social, não é discussão, é mais um despejo de palavras em cima de outras pessoas, um deposito de opiniões formadas a partir do nada que vão a lugar nenhum.

O dicionário define: “discussão: exame minucioso (de um assunto, problema etc.), levantando-se os prós e os contras.”

Quando criança escutava “gosto não se discute”, depois a gente passa pra fase do “politica, religião e futebol não se discute”, e atualmente não discutimos mais nada. A formação do pensamento critico inexiste, crescemos sem saber construir opiniões, respeita-las e até mesmo muda-las. Vivemos a morte do diálogo, na internet muitas palavras são ditas e quase nenhuma compreendida, esse fenômeno se estende para todas as esferas sociais, dentro de casa, trabalho, faculdade. A internet é uma fonte de besteiras inesgotáveis, e a maioria dos jovens de hoje formam suas crenças a partir disso; Wikipedia, facebook, twitter, substituiram os livros e jornais de outrora.

É uma pena que sejamos tão frágeis, a ponto de achar que, quem não concorda comigo é porque me odeia, quem não tem a mesma opinião que eu não pode ser meu amigo. Confundem discutir com brigar, discutir não é a mesma coisa que brigar, e que isso fique bem claro. Brigar é quando alguém acha que sua opinião é mais importante do que a do outro, seguida geralmente de adjetivação, por exemplo: “…você é coxinha” “petralha” “burro” “analfabeto, vai aprender a escrever”, parece familiar? Quando partimos pra esse tipo de briga, é porque o raciocínio já acabou faz tempo, se é que houvesse existido.

Somos a geração do “Eu, Meu”, ‘eu sou assim, essa é minha opinião”, formada da onde? De quantos debates? Com quantas teses e analises? Vejo pessoas no primeiro ano de faculdade dizendo que não concorda com Paulo Freire, um homem que passou a vida inteira estudando, passa a ter sua reputação colocada em pauta por alguém que mata aula. Seria cômico se não fosse verdade.

Então, gosto se discute? Claro que sim. Não só gosto pessoal, como todas as outras coisas. Calorosas discussões, formaram linhas de pensamento importantíssimas, psicanalise, marxismo… ou você acha que Marx e Engels concordavam com tudo o tempo todo? Eles construíam porque discutiam. Não construímos nada porque só atacamos.

“O fato de outros discordarem de nós (não prezarem o que prezamos, e prezarem justamente o contrário; acreditarem que o convívio humano possa beneficiar-se de regras diferentes daquelas que consideramos superiores), isso não é um obstáculo no caminho que conduz à comunidade humana. Mas a convicção de que nossas opiniões são toda a verdade, nada além da verdade e sobretudo a única verdade existente, assim como nossa crença de que as verdades dos outros, se diferentes da nossa, são “meras opiniões”, esse sim é um obstáculo.

— Bauman”

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