Setembro amarelo é todo dia
Sobre como é preciso dar atenção às doenças mentais — como a depressão — e lutar contra o suicídio sempre.
Setembro amarelo é o nome da campanha que, obviamente, acontece no nono mês do ano, com o objetivo de conscientizar as pessoas para a luta contra o suicídio.

Nos últimos anos, as redes se encheram de pessoas oferecendo o inbox e indicando outros canais de comunicação para tentar ajudar quem sofre com depressão, ansiedade e outros problemas que podem ter consequências bem graves.
E isso é muito positivo. Porém, na maioria das vezes, essa conscientização se limita somente ao mês de setembro. E eu não estou dizendo isso aqui para cobrar nada de ninguém, tampouco para cravar verdades absolutas sobre o comportamento humano. Faço apenas uma reflexão e já aviso, senta que lá vem textão.
Em setembro último, eu escrevi um texto jamais publicado sobre o porquê de eu não ter aberto a minha caixa de inbox. A razão principal passa por um misto da minha própria dificuldade em lidar com a minha depressão e a minha ansiedade, somada ao receio de não ter qualificação alguma para oferecer ajuda e me deparar com alguém em estado crítico.
Um adendo: de forma alguma acredito que pessoas em estado crítico não sejam dignas de ajuda. Por favor. É só que, por experiência, sei que palavras de apoio e carinho podem tomar um rumo errado em mentes que não estejam saudáveis. Ao menos, é o que acontecia comigo…
Voltando, eu não publiquei o referido texto porque sabia que seria mal interpretada. Motivo pelo qual, inclusive, escrevi o parágrafo acima. Porém, após a morte de Chester Bennington, eu percebi que precisava falar sobre gritos que parecem sussurros.

Esse é um assunto daquele texto que não publiquei. Quis explicar que, por vezes, quem sofre com depressão ou outra doença mental, se esforça muito, muito mesmo para tentar dar sinais de que precisa de ajuda. E, por vezes, esses pedidos de ajuda — que para nós são gritos — soam como meros sussurros aos ouvidos alheios (sobretudo aos destreinados, de quem não é profissional da psiquiatria ou da psicologia).
Chester gritava, literalmente. Como você já deve ter lido por aí, as letras do cara diziam muito sobre a sua dor, sua luta contra a depressão, contra o vício, contra os traumas do passado.
E, vejam só, até para quem literalmente gritava, os pedidos de ajuda parecem não ter passado de sussurros. Imaginem para quem não tem toda essa voz?
Por favor², não estou querendo culpar os outros. Não há culpados aqui. Nem Chester, que não mais conseguiu suportar a sua dor ou fazer um pedido de ajuda mais claro, talvez, e nem as pessoas ao seu redor, que não entenderam o que ele queria dizer ou não souberam o que fazer.
Por vezes, Chester — assim como todo outro depressivo já fez — disse que estava bem quando não estava. Em entrevista, o cantor falou sobre como era bom poder mostrar aos fãs que é possível superar os problemas e ser feliz, como ele havia conseguido.
Ninguém que está perto o bastante, que conhece a luta do outro, ignora os sinais. Só que pode ser difícil lidar. Quando alguém que não está mentalmente saudável diz que está bem, provavelmente, é porque de fato está tentando ficar bem. Quer acreditar nisso e não quer continuar sendo um problema para si ou para os outros.
Há muito esforço envolvido nessa tentativa. A pessoa que sofre e as outras ao seu redor, cada uma à sua maneira, dentro de suas possibilidades, passa a (tentar) acreditar que a vida vai seguir bem, apesar da depressão e da dor. Esse é o objetivo de muita gente. Por isso, muitas vezes, o fim trágico chega sem aviso. Sem “o” aviso que a gente tanto questiona…
E é por tudo isso que “setembro amarelo” é todos os dias. Ou, ao menos, deveria ser. Quem lida com a depressão nos mais variados níveis precisa falar sobre. E quem não passa por isso precisa estar aberto. Não vejo outra forma de fazer essa luta dar certo.
Se você precisa ou sabe de alguém que precisa de ajuda:
Centro de Valorização da Vida
Telefone: 141
www.cvv.org.br.
Este post, assim como os demais publicados em meu perfil no Medium reflete minhas experiências pessoais com depressão&ansiedade. Trata-se de uma verdade é minha, seja crítico e avalie se pode ser útil para você!
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