Fantasmas

Duas palavras. Três pontos. A maior dúvida de todas. E se…
Nada como um e se para nos atormentar à noite. A certeza às vezes machuca, mas a dúvida sufoca. E por qualquer motivo não compreendido, nós somos feitos delas. Poderia ter sido… ou não. Poderia ter dado certo… ou muito errado. Poderia ter sido uma vitória… ou um fracasso. Somos feitos de pegadas que deixamos pelo caminho.
Nunca saberemos. Um motivo, uma tentativa, uma desistência, um resultado… Não é destino. É um jogo de azar. Tudo pode ser. Nada pode acontecer. É uma moeda lançada no ar. Cara ou coroa? Você não tem tempo para pensar. Nós temos o poder da escolha. Mas não temos o controle sobre as consequências.
Não há regras. Há um clichê: você nunca vai saber se não tentar. O jogo não termina até todas as cartas estarem na mesa. É preciso falar o que está preso na garganta. É preciso fazer o que está rondando a mente. É preciso tentar todas as possibilidades. O tempo não espera, ele cobra. Então, um slogan: just do it.
Há certezas que eu gostaria de ter. Há explicações que eu gostaria que alguém me desse. Há dúvidas que eu gostaria de esclarecer. No fim do dia o que pesa é o que você deixou de fazer. Há pontos finais a serem colocados em algumas histórias. Sem recomeços. Sem novos capítulos. Fins tem que acontecer.
Fantasmas existem. Nós os criamos o tempo todo. Eles atormentam. Vivem nos perseguindo. Alguns são feitos de passado. Outros de incerteza. E ainda há aqueles chamados de esperança.
Existe um há três passos da minha casa. Há um milhão de quilômetros do meu toque. Há um sopro da minha cabeça. Eu sinto sua presença em todos os cantos. Sei como o criei, mas não sei como o destruir. Não importa para onde eu vá, eu o levo junto comigo. Poderia ter sido diferente. Mas poderia é só mais um tormento.
Há coisas que gostaria de dizer. Mas talvez eu tenha perdido meu tempo. Talvez eu tenha me condenado. Talvez eu nunca mais tenha uma chance de fazer de novo. Às vezes descobrimos que nossas certezas nunca foram reais. Mas também descobrimos que nossas dúvidas sempre foram uma certeza.
Cada um sabe dos seus fantasmas. Conhece eles. Conversa com eles… Eles vêm à noite. Às vezes de dia. Eles têm nomes. A gente não consegue ver ao nosso lado. Mas conseguimos vê-los em nossos olhos. E conseguimos senti-los em nossas almas.
Larissa Lacerda (@gotasnopapel)