Por incrível que pareça, pensar cansa

Cheguei a essa conclusão lá por volta das quatro, enquanto ainda não havia fechado os olhos para dormir

O Pensador, de Rodin. Foto: Opinião Central

Pensar é uma das coisas que mais faço no meu tempo livre, mas não quer dizer que eu me sinta bem pensando e nem que pense sobre coisas relevantes para o andamento da humanidade. Às vezes, só penso. Penso por instinto, sendo involuntário de todas as maneiras, e até contrário a isso.

No ônibus, por exemplo, quando vejo a chuva molhando árvore, folha e chão, me pergunto por quê, depois me pergunto como e, depois, qual seria a explicação da ciência para isso. Ou se a ciência tem uma resposta do porquê de eu não parar de pensar em coisas bobas. Depois me pergunto se no que eu me encaixo é em filosofia ou ciência, já que ambas exigem um questionamento aguçado tanto do mundo em volta quanto de lógica.

Se eu fosse filósofo, não sei se me ouviriam assim como ouvem Pondé ou meu xará Karnal. Se eu fosse filósofo, mandaria uma carta para eles perguntando como conseguiram ser levados a sério. Pediria, encarecidamente na carta, para que levassem a pergunta a sério, que seria de alguém que sequer consegue se levar a sério, então não imagina as outras pessoas fazendo isso por si. Aí me ficaria a dúvida, desde o momento em que a carta fosse enviada: será que me levariam a sério?

Foto: Marcelo Skaf

Se fosse para eu ser cientista, seria oceanógrafo, que é o que planejo para minha vida. Quero estudar o mar não porque gosto de surfar ou afins, até porque nunca fiz surfar ou afins, mas porque desde que me conheço tive medo dele, mas bastante gosto por matemática, biologia, química e física. Peguei esse medo do meu avô, que um dia contou que quase morreu afogado, no mundo do mar, já que não sabia nadar e não conseguia gritar ou pedir ajuda. Já a coragem de enfrentar esse medo, não sei de quem peguei. Vai ver de algum parente muito distante, que nunca abriu a boca sobre sua coragem, pois corajosos não afirmam que são, senão tornam-se desacreditados.

Tá vendo como acontece? Pensamento emenda pensamento, palavra puxa palavra, como Machado escreveu. E assim se formam as noites, concluo eu de maneira mais rudimentar.

Lá pelas tantas da madrugada, imagina eu tentando dormir pensando desse jeito. Ainda bem que tinha uma caneta por perto e um caderno para despejar palavras, senão nem eu sei como ficava. Cansando minha cabeça com tanto pensamento foi que consegui dormir. Ainda bem.