Vi um assalto

Quando voltava para a casa de ônibus, distraído, olhava pela janela sem pensar em nada. Até que alguém anunciou que na rua alguém roubava uma mulher.

Meu olhar andou procurando esse ladrão. Até que achou e ele tentou sumir. Correu, correu, até a beira da praia. Não deu para ver se ele foi para a areia ou rodeou a avenida.

No ônibus, uma menina ria. Falava que agora já era para a mulher assaltada. Uma mulher falava mais ou menos assim esse vagabundo a polícia pega, ali uma viatura, azar foi ela não ter passado antes. Eu bem quieto, mas todo mundo agitado.

Enquanto o ônibus ia passando por outras ruas e outras avenidas, fui vendo outras mulheres e outras meninas, outros meninos, e fiquei pensando: esses daí, será que sabem que poderiam ter sido eles? esses daí, será que poderiam ter sido um ladrão?

No meio desses questionamentos, fui passeando por Vitória. Até que veio a hora de saltar do busão, e me fiz até esquecido de tudo aquilo que havia pensado e visto. E o roubado podia ter sido eu.