Enredo de Domingo

Quinto Domingo da Epifania — Ano A

Isaías 58: 1–12 
Mateus 5: 13–20 
1 Coríntios 2: 1–16

A repreensão ardente de Isaías contém a semente do Sermão do Monte. A verdadeira piedade deve ser parte do movimento exterior de compartilhar a sua bênção com o mundo. O jejum é inútil se a injustiça não for controlada. Cuide do pobre, e sua luz se levantará como o amanhecer. Deus estará presente quando você o chamar.

O desafio de Jesus de ser o sal da terra e a luz do mundo não era simplesmente uma agenda para seus seguidores daquela época ou para a Igreja do futuro. Era um desafio Isaiânico direto para o Israel de seu tempo. Eles foram chamados a ser a luz do mundo. O propósito de Deus para Israel era que, através deles, ele trouxesse sua justiça e misericórdia para as nações. A cidade situada em uma colina, incapaz de ser escondida, é Jerusalém, onde as nações viriam a aprender a lei de Deus.

No entanto, Israel nos dias de Jesus estava recusando essa vocação. Claro que havia muitos judeus sábios e devotos. Mas a nação como um todo, como Josefo registra, não estava inclinada a trazer a luz de Deus para o mundo pagão, mas a trazar o julgamento rápido de Deus, especialmente àquela parte que atualmente governava o Oriente Médio com brutalidade casual. Compreensível, mas infiel.

O chamado de Jesus é muito mais do que um conjunto de lições morais abstratas. É uma convocação a Israel para ser Israel, enquanto ainda há tempo. É para isso que a lei e os profetas apontavam. E se o caminho de Jesus significava abandonar algumas das interpretações (farisaicas ou outras) que na época eram parte da lei, que assim fosse. O apelo à justiça superior corresponde à invocação de Isaías a uma piedade exterior, na qual Israel será finalmente o povo de Deus para o mundo.

Em certo sentido, o apelo não teve êxito. Cafarnaum, Corazin, Betsaida — as cidades ao redor do Monte — em grande medida resistiu ao forte desafio de Jesus. A igreja primitiva retomou o assunto mais tarde. Mas, entretanto, foi o próprio Jesus que seguiu o seu próprio programa. Tornou-se, quando todos os outros o haviam rejeitado, aquele colocado num monte que não podia ser escondido, incorporando em si mesmo o que Jerusalém deveria ser, mas não tinha sido, atraindo todos os povos para si mesmo. O sermão era uma agenda que o próprio Jesus realizou.

É por isso que a sua morte foi a derrota dos poderes. Os governantes do mundo não teriam crucificado ele se eles soubessem o que estavam realizando: eles estavam assinando sua própria sentença de morte. De agora em diante, o verdadeiro poder vem, como Paulo descobriu, não através da sabedoria ou força do mundo, mas através do evangelho de Cristo e ele crucificado. Se o Espírito está operando através deste evangelho, tanto a lei quanto os profetas olharão e declararão que isso é o que eles tinham em mente o tempo todo.

Tom Wrigth — Twelve Months of Sundays: Biblical Meditations on the Christian Year. Years A, B and C