Transfiguração
Como foi revelada a glória de Jesus Cristo
Seis dias depois, Jesus tomou Pedro, Tiago e João e levou-os em particular a um alto monte; e foi transfigurado diante deles. As roupas dele resplandeceram e ficaram extremamente brancas, como nenhum lavandeiro na terra poderia branqueá-las. Então Elias e Moisés apareceram diante deles; e falavam com Jesus. — Mc 9. 2–4
Registrada em três dos Evangelhos (Mt 17.1–8; Mc 9. 2–8; Lc 9. 28–36). e evidentemente planejada por Jesus para que Pedro, Tiago e João vissem e testificassem (Mt 17. 9; cf. 2 Ped 1. 16–18; Jo 1.14), a Transfiguração foi um evento significativa na revelação da divindade de Jesus. A transformação por que passou o Senhor divino-humano enquanto orava (Lc 9. 29) foi de um certo ponto de vista uma prova das coisas que virão: foi uma transição momentânea da glória divina, nele escondida e que marcou seus dias na terra, para a revelação daquela glória que Ele terá quando retornar e que nos permitirá vê-lo como Ele é. Foi também uma transição da condição humana, tal como é em nós agora, para a que será no Dia da Ressurreição (Fp 3. 20–21).
A luz resplandecente que emanou de Jesus através de suas vestes, quando seu rosto se transformou (Lc 9. 29), era a glória intrínseca a Ele como o Filho divino, “o resplendor da glória de Deus” (Hb 1. 3). A voz de dentro da nuvem confirmou a identificação que a visão já havia dado.
A Transfiguração era também um evento significativa na revelação do reino de Deus (isto é, o reino do Messias, o Salvador-Rei profetizado de Deus, em termos do qual o reino de Deus é definido). Moisés e Elias representavam o testemunho da lei e dos profetas a Jesus e sendo por Ele substituídos. A “partida” (em grego exodos), da qual eles e Jesus falaram (Lc 9. 31) deve ter sido a sua morte, ressurreição e ascensão. Este não foi tão-somente um meio de deixar este mundo, mas também um meio de redimir seu povo, tal como o exodos do Egito, que Moisés liderou, foi a redenção de Israel da escravidão.
Em seguida à Transfiguração, Jesus encobriu sua glória e desceu do monte para ministrar uma vez mais e, no devido tempo, sofrer para nossa salvação. F. B. Meyer comenta: “A porta através da qual Moisés e Elias chegaram permaneceu aberta, e por ela nosso Senhor poderia ter retornado. Mas, se o fizesse, Ele jamais poderia ter sido o Salvador do gênero humano. Ele sabia disto, e por isso voltou sua face para o Calvário.”
J. I. Packer, Teologia Concisa, Ed. Cultura Cristã.
