O cenário atual para o jovem cientista: a pós-graduação.

Imagine a seguinte situação: você é jovem, recém graduado e vê na ciência a possibilidade de realizar um sonho, ter um trabalho criativo, estudando aquilo que gosta, contribuindo para aumentar o conhecimento da humanidade e ainda receber por isso. Parece um sonho, não? E é! Mas a carreira do acadêmico talvez seja uma das que menos reserve lugares ao sol para seus aspirantes, vou enumerar abaixo apenas alguns dos desafios.

  1. Ao longo de sua formação você estará lidando com uma estrutura extremamente hierárquica, no topo estará o estado com o presidente e os governadores, depois a intituição pública de pesquisa, seu orientador (uma autoridade concursada) e você, que terá seu desempenho julgado periodicamente, sujeito ao desligamento do programa de “pós” e corte de sua bolsa. Nessa hierarquia o maior ônus sempre será seu, com o fim de um sonho, de uma carreira, uma reputação manchada, a alto estima no fundo do poço e sem boas expectativas de emprego no mundo real.
  2. Mesmo com um título de bacharelado ou licenciatura, você irá trabalhar e não será considerado profissional. Sua remuneração será uma bolsa de estudos que poucas instituições financeiras, e até mesmo o governo que te paga, reconhecerão como renda.
  3. Todas as agências de amparo à pesquisa exigirão que você se dedique integralmente à atividade acadêmica, mas a remuneração será mais baixa do que qualquer profissional do mercado . Além disso, sua formação será quase nula para o mercado e sua experiência não será considerada profissional.
  4. Seu horário será flexível, mas o trabalho será sua vida. No início pode parecer que horários flexíveis de trabalho sejam uma grande vantagem, mas depois você pode acabar vivenciando seu trabalho em casa, dormindo, andando de bicicleta, etc. Isso é extremamente desgastante, portanto, organize-se. Hora de trabalho é hora de trabalho, seu momento pessoal é somente seu. Tenha um bom jogo de cintura com seu orientador, eventualmente ele vai querer interferir na sua vida pessoal. Lembre-se, ele é concursado e é fundamental para que você coclua sua jornada. Você quase não terá a quem recorrer, caso ele te negligencie.
  5. Dentro da academia você nunca será suficiente até que, após pelo menos ter concluido o doutorado, passe em um concurso.
  6. Você irá descobrir que não pode fugir da política ou que, pelo menos, deveria se interessar mais por ela. Isso porque quem possibilita a pesquisa no Brasil, paga sua bolsa e abre concursos para pesquisadores é o governo e dependendo do projeto do político que elegemos, as atribuições acima podem ser as últimas das prioridades. Uma observação interessante é que a iniciativa privada é livre para fazer ciência por aqui, mas sua participação é tímida.

Agora você deve estar pensando que fazer ciência no Brasil é uma loucura e querendo realizar seu sonho no exterior. A notícia ruim é que o Brasil copia esse modelo de países desenvolvidos, então lá fora as coisas são um pouco parecidas.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.