Brevíssima (muito mesmo) história da filosofia — parte 1

Um camponês, há alguns milênios, numa aldeia qualquer onde hoje fica a Noruega: _Por quê o céu grita e a a água cai das nuvens?

Um velho sabedor de mitos: _ É Tor brandindo seu martelo contra o vento, lá nas alturas, feliz por ter salvo a deusa da fertilidade das garras dos trols!

Tales de Mileto, por volta de 600 antes de Cristo: _ Meu bom homem, então um Deus ri e os campos florescem? Ora, isso não basta. Digo-te que a origem de todas as coisas é a água! E com isso, inauguro a longa estrada que levará ao verdadeiro conhecimento!

Parmênides: _ Bobagem! Aceito a tua estrada, mas tudo que existe sempre existiu, e nada pode surgir do nada! E mais ainda: nada muda! Posso ser um cético, mas sou, também, o primeiro racionalista. Acostumem-se, muitos outros virão, seremos uma legião a escrever o grande livro da natureza!

Heráclito. _Então nada muda? Nunca os gregos terão ouvido tamanha tolice. As transformações à nossa volta são a única certeza. Tudo flui e nada é para sempre neste nosso mundo moldado por opostos que se complementam: bem e mal, dia e noite, guerra e paz…

Empédocles: _ Meus caros Parmênides e Heráclito, sinto fazer ruir o vosso frágil castelo. Fato é que a fonte de todas as coisas não é uma, são quatro: as raízes por trás da origem do mundo são a terra, o ar, o fogo e a água. Sua combinação dá forma e substância a tudo, e este mesmo “tudo” está submetido a duas forças: o amor, que une, e a disputa, que separa. Sei que minhas palavras vão ecoar no tempo, indeléveis…

Demócrito: _ Uma boa palavra, nobre Empédocles! Indeléveis são, na verdade, as ínfimas partes que constituem tudo aquilo que existe. Chamemo-las ‘átomos’, essas minúsculas, invisíveis, eternas e imutáveis peças que, combinadas de mil modos, dão contorno às pedras, às aves, ao homem…

Hipócrates, 460 antes de Cristo: _ Nada sei sobre átomos e a eternidade, mas afirmo que para viver uma boa vida é preciso agir com moderação e harmonia. Mente sã, corpo são!

Protágoras, um sofista em Atenas: — Estás correto, Hipócrates! O homem é a medida de todas as coisas, e só a ele cabe decidir como viver. Não há bem absoluto, nem mal absoluto, e sim aquilo que cada sociedade julga ser melhor.

Sócrates: _ Ha! Marquem minhas palavras, pois eu mesmo não pretendo escrever nenhuma: mais inteligente é aquele que sabe que nada sabe! O verdadeiro conhecimento está dentro de cada um, e basta trazê-lo à tona, como tão bem fazem as parteiras! Quem ouvir sua consciência (a razão!) saberá o que é certo e o que é errado, e somente pode ser feliz aquele que age em acordo com as próprias convicções. Por isso devo morrer, dá-me o o veneno!

Platão: _ Meu querido professor, longe ressoam tuas palavras! Aqueles que vierem depois de nós hão de lembrá-las, séculos e séculos à frente, eu mesmo me encarregarei disso. No bosque de Academos hei de fundar minha escola, e nela as únicas sombras que permitirei são aquelas projetadas pelas árvores. Imperfeitos e imprecisos, os sentidos enganam, e desenganado tem vivido o homem, mas as trevas hão de ter fim. Hoje a humanidade aband0na a segurança da caverna para, sob a luz do sol, deixar falar a grandeza da alma imortal.

Aristóteles, por volta de 360 antes de Cristo: _ Mestre, por duas décadas tenho te ouvido, mas compreendo agora que a beleza do mundo das ideias tornou-te insensível à natureza! Urge compreender e classificar a vida, Platão, aquela que não cessa de se transformar e está em toda parte. Este será meu projeto, partindo dos seres inanimados, depois passando às plantas, aos animais e ao homem, até chegar àquele que considero o Primeiro Impulsor, ou… Deus. O ápice, a causa primordial de todo movimento na natureza…

Continua na idade média, com Agostinho, Tomás de Aquino… (em breve).

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