Precipício
Por muitos meses pensei no que poderia fazer pra te trazer de volta
Te levar girassóis, pizza, café, meu canto ou o afeto daquela outra hora
Disseram-me que devo arriscar, que tenho mais a ganhar do que perder
Volta e meia ainda concordo; onde está você em meus braços? Não vê?
Eles mal entendem o porquê de eu ainda estar aqui, no teu aguardo
Isso é o que tenho a perder. As memórias póstumas, o seu vislumbre, incólume
De ser e estar ao mesmo tempo tão longe e tão perto do meu coração
De toda a vontade e o medo de simplesmente lhe esbarrar na rua
E ver que há muito você não é minha, ou ainda buscando por ser
Eu quero pelo menos aguçar meus sentidos nos seus novamente
Uma última vez, quem sabe, antes de me permitir esquecer
Da XV , daqui e de sua casa, das primeiras e últimas noites
Das suas chamas que queimavam minhas asas, só pra então perceber que meu céu era
Você.
