Rubrica em Vidro
Viver uma vida suportando um sentimento de razões absurdas, de poder imenso, como se nada jamais pudesse existir além disso. Ir a lugares e forçar a mente a não recriar os mais diversos flashes de memória. Escutar músicas randomicamente, sentir o vento frio da madrugada ou comer absolutamente qualquer coisa sem lembrar que tudo parecia muito mais vivo e intocado com você. Da parede molhada do banheiro às pegadas na grama do parque, você me salva todos os dias. E de noite, antes de me deitar, eu abro a janela do banheiro enquanto o chuveiro chora as lágrimas que segurei por você. Ainda sinto o vento me abraçando forte, como naqueles instantes em que eu me tornara seu refúgio. Mergulhando em memórias póstumas, ainda sinto seu toque nitidamente dançando na minha pele arrepiada.
E olha, o vidro do banheiro ainda mantêm a marca do teu nome, para me lembrar todos os dias das marcas que você fez em meu coração.
