Virtus.Pro: O impacto de um treinador

Sébastien “7ckngMad” Debs, treinador da quatro vezes campeã da Major de Dota 2, OG, costuma afirmar em entrevistas que seu trabalho aborda uma parte mais técnica: análise de drafts, partidas e comunicação necessária durante os jogos. Essas são as funções geralmente associadas ao papel no jogo, onde a formação de um líder e estrategista sempre repousou no capitão do time.

Uma quebra desse padrão aconteceu quando os russos e ucranianos do Virtus.Pro demonstraram um impacto significativo na estrutura de atuação após a adição do ex-Na’Vi e vencedor do The International, Ivan “ArtStyle” Antonov.

No comando de Solo, eles já haviam conquistado resultados relevantes, incluindo uma atuação espetacular no The Summit 5, onde venceram OG de 3 a 0 na final. Algumas más performances sucederam o caso e levantaram dúvidas a respeito do futuro da equipe. Então, antes das qualificatórias da Major de Kiev, entra em jogo Artstyle.

Reprodução Virtus.Pro

Para o expectador distraído, a mudança parece ter sido nula. Os picks continuaram praticamente os mesmos. O capitão ainda conseguia encaixar Chen, Enchantress e Visage, heróis icônicos do time, em seus drafts. Pareceu apenas que a má fase havia passado; contudo, as digitais do novo treinador são visíveis no revigorado VP.

Não só é possível presenciar uma equipe com objetivos mais concisos e afiados, mas também se veem movimentações e decisões durante o estágio inicial do jogo que mudam a dinâmica geral. LiL passa a ser ainda mais ativo, com rotações mais eficientes, pressionando mid e off lane. RAMZES consolida a linha de frente com heróis ativos no começo e meio de jogo, enquanto No[o]ne recebe prioridade dos suportes, adapta o meio e supre a necessidade de uma presença em um estágio mais avançado. O resultado desse refinamento foi a qualificação e o segundo lugar acirrado em Kiev.

O sistema é o mesmo usado por seus ex-colegas do Natus Vincere em sua antiga formação. Havia uma preocupação em assegurar o farm de Dendi e as tentativas de gank, em sua grande maioria, se convergiam em volta do mid laner. Em muitos casos, ele não era deixado sozinho durante os minutos iniciais. Ditya Ra ficava exposto em várias ocasiões para que uma pressão pudesse ser criada em outras áreas do mapa. O capitão executava o mesmo papel de LiL, as vezes incorporando um papel mais estático, deixando SoNNeiKo fazer a ronda.

ArtStyle nunca foi um jogador talentoso e tinha uma gama de heróis muito limitada. Era consistente em seu micro de unidades, mas suas grandes habilidades eram saber ler e explorar o mapa, encontrar boas oportunidades para pressionar no começo do jogo, entender quando aumentar vantagem de torres e achar espaço para farm. Não era difícil o ver ultrapassando o patrimônio líquido do carry de seu time. Quando se insere essas habilidades em jogares talentosos os resultados são vistos de longe.

“Obrigado pela vitória, ArtStyle! As estratégias estão funcionando!”

Ainda existe e é necessária a presença e postura de um capitão durante os jogos, mas os moldes passados pelo campeão do The International são os novos alicerces da equipe da CIS.

O exemplo de treinador mais próximo do modelo clássico que tivemos nos e-sports acabou no inverno de 2016. No CS:GO, o “coach” atuava no micro e macro gerenciamento da equipe durante o jogo, organizando os rounds auxiliando no posicionamento dos players e dando espaço para os jogadores focarem em suas performances individuais.

Agora essa função se enquadra no espectro difuso generalizado e Virtus.Pro é a grande ressalva.