O menino doente II

Ficou muito feliz quando ganhou um relógio “Cassio” de presente. Todos os seus amigos possuíam um relógio. De modo que, ter algum, mesmo um “Cassio”, era por demais motivo para estar alegre.

Numa manhã de domingo, quando retornava para casa após a escola dominical, reparou que faltava um pino no relógio. Sentiu medo. Chegou em sua casa e procurou desesperadamente um lugar para esconder o relógio sem o pino. Encontrou debaixo do seu travesseiro o melhor lugar para escondê-lo. Pensava ter culpa em tudo.

Por dias conviveu com a iminência da descoberta do relógio… não conseguia se ocupar com nada, nem ter distrações: sabia que mais cedo ou mais tarde descobririam.

Os gritos em sua direção lhe assaltaram o dia (fazia sol), ressaltando o que já temia. Sua avó atravessou o caminho impedindo o pior, mas lhe sobrou uma fivela, marcando-o profundamente a face — as tantas faces que se pode ter em vida ou quando menino.

Passada a dor, voltara a escola dominical. Nela, aprendia sobre amor, perdão e outras coisas… mas não compreendia muito bem. Com o rosto ainda marcado, evitava comentar o que houvera e se esquivava com um sorriso de canto, como se tivesse feito travessuras… aos mais íntimos, porém, dizia que havia caído da mangueira.

Era só um menino…

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