Apenas vá!

Chega um momento em que ter aquele emprego “ótimo” não é o suficiente. Digo “ótimo” assim, entre aspas, por ser assim que as pessoas se referem a ele para você. Alguns amigos gostariam de ter seu salário e sua colocação. Mas você mesmo não está tão completo e realizado, e até se sente um pouco culpado por isso.

A culpa vem de uma ingratidão que a gente imagina ter. “Tantas pessoas queriam ter chegado onde cheguei e eu aqui infeliz, reclamando”, você pensa (sua avó pensa, aquela sua tia do interior também pensa). E você decide se submeter. Enfia a cara no trabalho em busca de realização. Se engana, se diverte, mas acaba. Por que chega um momento em que ter aquele emprego não é o suficiente. E aí você decide que vai “largar tudo e fazer o que ama”. Decide passar um tempo fora do país. Melhorar o inglês (o francês, o mandarim…), conhecer gente nova, quem sabe se apaixonar de novo (por alguém e por você mesmo). E vem a insegurança. Sabe porque? Porque você fala “largar tudo”. Tudo o quê, cara pálida?? Vai abrir mão de um emprego que já não te desafiava, não te realizava e vai buscar algo novo, conquistar sonhos, realizar desejos. E é só isso. Não dê a esse ato tão singelo (sim, singelo) uma dimensão que não é dele. Milhares de pessoas fazem isso todos os dias em diversas partes do mundo. Desculpe, mas você não é a pessoa mais corajosa do mundo.

Não se cobre tanto. As pessoas já vão fazer isso por você. Quando você se demitir, três grupos de pessoas surgirão na firma para te dar um abraço de despedida: as que realmente torcem por você (poucas, pode contar nos dedos de uma mão — MESMO), aquelas que não entendem os seus motivos mas que também não se importam muito e aquelas que realmente te acham louco. Esse último grupo é o que você precisa ter mais cuidado, pois são eles que farão aquelas perguntas que você fez para o seu terapeuta tantas vezes e ele disse: “não se preocupe com isso agora. Apenas vá”. Esses três grupos também surgirão na família e entre os amigos. Meu conselho? Não se justifique demais.

No fim das contas, essa “aventura” é sua com você mesmo. Resolva os seus questionamentos quando estiver sentado aos pés da Torre Eiffel ou no meio do Deserto do Atacama. Ninguém aqui vai resolver seus problemas para você. Eles são seus. Apenas vá. E aproveite!

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