Sobre Motos, Diversão, Liberdade, Igualdade e Fraternidade: um breve relato acerca do motociclismo.

Entre as maiores invenções e descobertas da Humanidade figuram a roda e o motor a combustão. Desde que um gênio resolveu combinar esses dois elementos surgiu um segmento social que tem atravessado a História moderna numa jornada épica, disseminando sentimentos contraditórios, como amor e ódio, construindo mitos, desfazendo estereótipos e produzindo uma legião de fãs incondicionais ao redor do mundo: o motociclismo.

Garanto a você: se não fosse por um alemão chamado Gottlieb Daimler eu não estaria digitando essas palavras — e nem você estaria sentado aí, do outro lado do monitor, lendo esse conteúdo. Afinal, Daimler foi o responsável por nada mais, nada menos que a invenção da motocicleta. Moto. Motoca. Mota. Bom, o nome não importa: o que importa é que a criação de Daimler dá “asas à liberdade”, como afirma o slogan de uma famosa montadora.

Para que não se cometam injustiças é preciso ressaltar que, antes de Daimler, outros já haviam tentado, sem êxito efetivo, construir veículos semelhantes ao que, hoje, conhecemos como motocicleta. Foi o caso, por exemplo, do Conde de Sivrac (francês) e do Barão Drais (alemão). O que chama a atenção é que, naquela época (fins do século XIX), os inventores geralmente figuravam entre a nobreza europeia. Bon vivants que adoravam gozar os prazeres da vida — afinal, era pra isso que eles tinham dinheiro. Assim, levavam o tempo inventando coisas inusitadas para satisfazer a necessidade de sempre viver algo novo. Nem preciso dizer que a elite “pirou” na Rover, “brinquedo” criado por J. J. Starley, e precursor da motocicleta.

Gottlieb Daimler era um engenheiro mecânico. Depois de ser demitido da empresa onde trabalhava, juntou-se ao amigo Wilhelm Maybach e investiu o dinheiro da indenização no desenvolvimento de um motor, a princípio movido a gás, mas que, posteriormente, passou a utilizar gasolina como combustível.

Depois de adaptar o motor ao protótipo de um veículo de duas rodas (biciclo) e, em seguida, patenteá-lo, Daimler partiu para outros projetos. Na verdade, ele nunca imaginou um veículo de um formato específico. A escolha do biciclo para a adaptação do motor recém-criado deu-se pela conveniência do seu baixo custo e praticidade. De qualquer forma, Gottlieb Daimler é considerado o pai do motociclismo — ainda que essa nunca tivesse sido sua real intenção.

Paralelamente ao trabalho de Daimler, outras pessoas “suavam” no Velho Continente para criar soluções para problemas cotidianos — invenções que acabaram aprimorando a motocicleta. O pneu, por exemplo, foi inventado por um veterinário (!!!) escocês, John Dunlop, que devia estar com os ouvidos irritados pelo barulho das rodas do triciclo do filho… Sua invenção foi aperfeiçoada pelos irmãos Michelin, na França, pioneiros no reparo dos primeiros pneus — o que demorava, no mínimo, três horas para ser reparado, os Michelin conseguiram fazer em menos de três minutos.

Com a Revolução Industrial a todo vapor (com o perdão do trocadilho, rss) e os consequentes avanços da engenharia surgiram fábricas de motocicletas em vários pontos da Europa, mas a mais famosa delas surgiu nos Estados Unidos e é uma lenda cultuada até hoje — a Harley-Davidson.

E quando se tem um monte de motos, o que fazer? A resposta chega a ser óbvia: vamos competir!

A Federação Internacional de Motociclismo surgiu em 1904; mas, com os conflitos da I e II Guerras Mundiais, que devastaram a Europa e redefiniram o quadro político e econômico mundial, as competições só começaram a acontecer a partir de 1947, ano em que ocorreu o torneio internacional. E, se o pai do motociclismo era um alemão, o maior campeão de motocross era um italiano. Giacomo Agostini conquistou nada menos que 15 títulos mundiais.


Continua…

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.