Ponte de Espiões (Bridge of Spies)

EUA, 120 min, 2015. Direção de Steven Spielberg. Com Tom Hanks, Mark Rylance, Scott Shepherd, Amy Ryan, Sebastian Koch, Alan Alda.

Para quem achava que Steven Spielberg fosse o queridinho dos blockbusters (e realmente é), mas que só produz algo de grandioso e megalomaníaco para as telonas; se engana. Ponte de Espiões nos revela um lado a mais que Spielberg não revela muito, penso que sua preocupação em lotar salas de cinema e bater recordes de bilheteria vá além disso, permitindo assim que se tenha uma percepção maior do que engloba o universo cinematográfico do diretor. Para começo de história, Spielberg se foca em um fato real, e quando se fala em fatos reais, evidentemente que o diretor quer instantaneamente humanizar sua produção; o que eu acho válido, uma vez que a produção seja adaptada de uma obra literária ou de algum tipo de lenda ou até mesmo fato religioso… Para os que não estão habituados a conhecer suas produções ou até mesmo não estão muito por dentro do mundo do cinema, ambientarei aqui os fatos desta trama:

Tom Hanks (James Donovan)

O longa é ambientado no ano de 1957, quando um advogado americano James Donovan, recebe uma missão um tanto complicada, espinhosa: Em plena Guerra Fria, defender perante a justiça e lei americana um espião russo chamado Rudolf Abel. Para Hanks não é complicado interpretar Donovan, uma vez que o ator é da mesma origem do personagem, americano; mas acredito que Spielberg tenha acertado na escolha do ator para interpretar Abel, trata-se de um dos mais talentosos atores britânicos de teatro (sim, ele fizera pouco cinema), Mark Rylance. O que significa que Rylance conseguiu dar com maestria uma forte carga dramática e energia de suspense ao longa; Donovan aceita o desafio, mas com medo, pois sabe que isso poderá abalar as suas estruturas familiares e até mesmo sua reputação. Antes de continuarmos, veja o trailer do longa, para assim, te sentires mais instigado a ver esta obra que marca o retorno de Spielberg às telas, afinal, sua última produção fora LINCOLN (2013).

O ponto ápice desta história toda, é o momento em que a união soviética captura uma agente americano, fazendo com que Donovan realmente confirmasse sua teoria; “não condenaremos este homem, se os russos capturarem um homem nosso, faremos uma troca”. Pode não ser considerado um drama, mas muito suspense o envolve, o diretor se esforçou ao máximo para nos mostrar um longa cheio de impressões e para quem gosta de assuntos políticos e diplomacia, essa é uma boa opção.

Outra característica que o longa carrega com bastante propriedade são as belíssimas imagens carregadas de traçados mais fortes, a câmera lenta rodando e capturando com leveza o deslizar da neve, pontos de sombra e chuva, domina como ninguém a intensidade da luz, o muro de Berlim (esta cena não foi rodada na Alemanha), fruto do belo trabalho do diretor de fotografia e amigo de longa data do cineasta, Janusz Kaminski.

Para quem já gostava do trabalho magistral na interpretação de Hanks, sem dúvidas não se decepcionará com este longa. Apague as luzes e viva a diplomacia que Steven Spielberg preparou para todos. Nota 10.