DEPOIMENTO DA PORTEIRA VOGUE BRASIL

Fui hosstes da festa de 42 anos da revista Vogue no Brasil este ano.

Foi muito massa ver as modelos e seus looks. Os bloggers de moda e seus looks. Os produtores, os estilistas, os maquiadores, os agentes, fotógrafos, bookers e seus looks.

Observar os looks foi pra mim a melhor parte do evento. O meu foi um vestido rosa longo e o da minha parceira um longo preto. Nem fomos nós que escolhemos mas a produção do evento.

Há um poder em ser hostess. Você diz ao aspirante a convidado: “qual seu nome?”, ele diz, eu respondo “só um minutinho” e procuro o nome dele na lista.

Confirmo se ele foi mesmo convidado ou se é um penetra. Festa boa tem penetra.

O penetra é o cara mais feliz, o principal não convidado especial da noite.

Procuro o nome na lista infinita. Este momento é mágico. Hoje em dia a pessoa fica disfarçando a ansiedade olhando no celular mas não adianta. Tanto a convidada como a não convidada/penetra ou acompanhante, anseia por seu nome estar, e ser encontrado logo ali. Escrito do jeito correto! E falado com perfeita dicção. Eles ficam tentando achar o nome com você...

Na verdade, no fundo mesmo, ele queria que eu nem precisasse procurar nada, mas o reconhecesse e abrisse passagem de cara. Porque é aí que mora o glamour da aceitação! Quando a hostess, a anfitriã, o bar man, reconhecem o convidado sem ele precisar mencionar quem é.

Risco o nome encontrado. Ou anoto o do penetra. Levanto o olhar para encontrar os olhos ansiosos da pessoa. Sorrio, dou uma pulseira vip pra ele ser feliz, beber, dançar de graça na pista. E desejo toda glamurosa com voz sensual “uma boa festa”.

Aí é só dar passagem pra pessoa entrar! Ficamos na frente da porta como se fossemos seguranças. Essa saidinha da frente da pessoa, é semelhante ao da alfândega quando mostramos passaporte pra entrar num país estranho. É como se eu dissesse “não há nada de errado com você, seja bem-vindo”.

Pra ser sincera, nesta festa em especial, eu deixei todo mundo entrar. Deixei mesmo. Fazia todo o teatro, a cena de tensão, e botava logo pra dentro. Se eu achava ou não achava o nome, fingia que achava e mandava entrar.

Estavam todos bem vestidos demais para serem barrados. Lindos demais pra levar canseira! Gente linda, esquisita, corajosa! Porque tem roupa que é pura questão de coragem.

Como você se vestiria para a festa de 42 anos da Vogue no Brasil? Com a roupa mais bonita, diferente e cult do seu guarda-roupa. Ou do guarda-roupa da sua irmã ou prima mais descolada. Certeza. Aquilo era genuíno, bem melhor de ver que o próprio fashion week. Ou que os desfiles de escola de samba.

A festa foi bem boa. Uma das melhores que já vi. Pude constatar observando-a de longe, do alto de meu posto de hostess, como se estivesse eu e minha colega no Olimpo da recepção.

Fui muitos anos hostess de restaurante e não sei porque mas achava mais divertido ainda. Gostava da caminhada até a mesa. E claro, de dizer “bom jantar”.

Me sentia desbravando um mar de mesas cheias, de garçons passando, pessoas comendo, gritando, flertando, bebendo… levo o cliente até seu lugar ao sol. Seu oásis. “Parabéns! Chegou a sua vez. Você venceu!”

Afinal, mais do que a vontade de se divertir, ele está com fome!

Está esperando pelo conforto restaurador do chacra base! Ele quer o mais básico e primoridial alimento para sobrevivência humana! Comida.

Quando o cliente reconhecia que a mesa era boa, o impagável olhar de gratidão. Gringo gosta de demonstrar gratidão com caixinha, adoro também.

Quando eu punha um casal numa boa mesa com vista privilegiada, se estavam apaixonados, nem percebiam. Se são casados há muito tempo, faz uma diferença enorme.

A festa da Vogue foi boa assim porque foi num restaurante no meio de um shopping chiquérrimo, onde a pista era cercada pelas marcas mais fancy possíveis. Cenário bem de acordo com a proposta, propiciou o sucesso.

Restaurante cada noite é um episódio, festa é um filme único. Como hostess de ambos, já me senti mais importante que como atriz principal em certos camarins de certas emissora de TV. No Morro do Querosene antes de qualquer espetáculo saudamos São Pedro que tem “a chave da porta na mão” não é a toa…

No fim cada lugarzinho desse tem sua magia, sua cortina, seu roteiro… sua porta de entrada e saída.

No fim é tudo teatro.