PSOL e seu apoio à ditadura chavista

Em meio a mais uma etapa da grave crise socioeconômica e política que atinge o país, o ditador Nicolás Maduro agora é acusado de “abandono de cargo” em declaração aprovada recentemente pela Assembleia Nacional da Venezuela. Em um quadro democrático normal, tal procedimento acarretaria no impeachment de Maduro. Porém, isso dificilmente acontecerá, uma vez que o judiciário venezuelano foi completamente cooptado pelo plano de poder totalitário da revolução bolivariana.

Não é novidade que os governos ditatoriais de Maduro e, anteriormente, Hugo Chávez não se sustentariam por tanto tempo no poder caso não fosse o apoio dos governos petistas de Dilma Rousseff e Lula, que através de empresas como a Odebrecht e o financiamento de crédito concedido pelo BNDES, forneceram suporte ao autoritarismo chavista por meio do maior esquema de corrupção da atualidade, o chamado “Petrolão”. Porém, o que poucos se dão conta é que, além do PT, a ditadura venezuelana foi apoiada por outro partido que é diretamente responsável por diversas tentativas de mascarar a real situação do país vizinho perante a opinião pública: o PSOL.

Luciana Genro manifesta seu apoio ao governo de Nicolás Maduro

Com seu contraditório lema de “socialismo e liberdade”, o partido de Pedro Ruas e Marcelo Freixo sempre esteve ao lado dos governantes chavistas. Apesar de ter declarado não possuir “nenhuma relação com o governo da Venezuela”, durante as eleições para a prefeitura de Porto Alegre em 2016, Luciana Genro aparece em diversos registros, não somente em fotos ao lado de Nicolás Maduro (datadas de um encontro em 2013, em Brasília), mas também declarando apoio abertamente ao ditador, como em um vídeo do mesmo em que prega o “aprofundamento da luta socialista na Venezuela junto com Maduro”. Apesar de mentir em sua última candidatura, sobram provas do apoio de Genro e seu partido à pior tirania da América Latina nos últimos anos.

Outra curiosidade é o fato do PSOL nunca ter retirado o seu assentimento para com o governo venezuelano mesmo com os repetidos episódios de homofobia perpetrados na nação do “socialismo do século XXI”. Em sua primeira campanha presidencial, Nicolás Maduro proferiu xingamentos homofóbicos ao seu adversário, Henrique Capriles, e insinuou que o mesmo “queria o seu leite”. No mesmo período, Maduro também chamou o opositor de “maricón”, enquanto a mídia governista acusava Capriles de ser um “judeu homossexual”. Vale lembrar também que, em 2015, o Comissário para a Reforma Policial do país, Freddy Bernal, declarou que policiais venezuelanos com orientação homossexual não poderiam manifestar publicamente sua sexualidade, pois tal coisa seria motivo de profunda vergonha.

Maduro e suas declarações homofóbicas

Apesar de algumas das principais bandeiras defendidas pelo PSOL estarem ligadas, teoricamente, às causas LGBT, o partido nunca defendeu uma postura contrária a estas demonstrações de homofobia. O histriônico deputado federal Jean Wyllys até ensaiou uma crítica à atitude preconceituosa de Maduro na revista Carta Capital, no melhor estilo “fogo amigo”. Porém, algum tempo depois, Wyllys escreveu um texto ambíguo e com posições confusas em sua página no Facebook onde afirmava não ter mudado de opinião em relação à Venezuela.

Atitude semelhante a esta ocorreu em 2015, quando o PSOL aprovou a moção de repúdio contra as hostilidades sofridas pela comitiva de senadores brasileiros em Caracas. Pouco tempo depois, o partido liberou uma nota onde dizia repudiar somente as tentativas de agressão de uma parte dos militantes chavistas, e não o governo venezuelano como um todo. Na época, o deputado Chico Alencar disse que o PSOL tinha “um enorme respeito pelo processo da chamada Revolução Bolivariana”.

É interessante notar a omissão e o cinismo do PSOL diante dos atos da ditadura venezuelana nos últimos meses, quando o caos humanitário atingiu proporções insustentáveis. Talvez o partido não queira mais se associar ao tirânico comando de Nicolás Maduro para não perder ainda mais o seu prestígio político junto ao eleitorado brasileiro. Talvez, seu silêncio reflita a perplexidade diante dos milhões de venezuelanos famintos e os milhares de mortos naquele que é considerado o país com a capital mais violenta do mundo. Seja qual for a razão, o PSOL é coerente com as suas raízes forjadas em constantes posturas contraditórias, como são todos os partidos que possuem suas bases provenientes da ideologia trotskista.


Marcel Horowitz é estudante de jornalismo na PUCRS e colaborador do LIVRES RS.

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