Romance no mundo literário

FFORDE, Katie. Amor nas Entrelinhas. Rio de Janeiro: Record, 2014. p. 400.

Eu já tinha abandonado “Uma pitada de amor” com aquela protagonista hipócrita e aquele mocinho sem sal. Aí resolvi dar uma chance para esse Amor nas Entrelinhas, porque sempre aparecia na minha timeline do Skoob com notas ótimas e todas as resenhas que eu li dizem que o livro é muito bom etc, só que não.
 
 A história é meio que uma história de Cinderela. Laura, a mocinha obscura, inábil socialmente, é encontrada por Eleonora, uma espécie de fada madrinha extravagante que provoca uma revolução em sua vida ao pedir que ela organize um festival literário. Mesmo o final, com Dermot à procura de Laura, telefonando para todos os amigos e conhecidos em comum até encontrá-la na casa dos pais, evoca essa coisa de príncipe encantado em busca de princesa.
 
 Porém, os personagens que Katie Fforde criou são, na maioria das vezes, desinteressantes ou rasos.
 
Sua protagonista, Laura, vibra em uma frequência de “não sou tão boa para Dermot”, “Dermot me usou”, “me sinto manipulada”, coisas assim. Qual é, estamos no século XXI, em uma era pós-feminista, o próprio mocinho perguntou se ela estava disposta a ir em frente (com a relação sexual) e Laura disse ok, então por que o lamento depois? Laura mal conhecia o cara, na cabeça dela Dermot era o maior mulherengo e ela chegou mesmo a escolher mulheres bonitas para a oficina de escrita para que Dermot “escolhesse alguma”, portanto, essa choradeira não faz sentido. Aliás, Laura se queixa tanto que Dermot não a procura, mas ela nem sequer atende às ligações, se recusando a falar com ele e várias filhaputices.
 
 E Dermot é raso como um pires. É um tipo de pop star literário recluso que vive nos cafundós da Irlanda, achei todas as cenas dele forçadas. Mal construído, mal trabalhado, ainda sim consegue ser um pouco menos ruim que a protagonista.
 
 De interessante, apenas as duas personagens que identifiquei como alter ego — um bom e um malvadinho — da autora, Anne e Veronica. E também Grant, apesar de recair no estereótipo do amigo gay. 
 
 É um livro que recomendo para quem tem muito tempo livre e bom humor de sobra. Não me diverti durante a leitura e quase abandonei o livro, devido à imensa irritação que senti da protagonista.

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