Quando acordei na manhã seguinte senti vontade de recomeçar. Senti vontade de sessar todas as fragilidades em mim já manifestadas e buscar as forças para um apoio sincero. Dentro de mim,todas as verdades já ditas e impostas,se mixam entre orgulho e vergonha e entre a vontade de permanecer e a vontade de ir embora.

Parar e ouvir tudo que eu já sei e fixo na minha mente há anos. A esperança que se renova diariamente para um reconhecimento distinto,falha. E eu não sei lidar com falhas.

Quando me vem junto a reflexão a busca do auto conhecimento,eu encontro as justificativas para todos os atos. Mas são vivencias próprias,únicas e intransferíveis. Os porquês são pessoais. Ao compreender as falhas e se aperfeiçoar para o outro,o esquecimento de si vem a tona quando a mudança é incompreendida. Os pequenos gestos que causam orgulho de tamanha perseverança e objetivos alcançados,são anulados com palavras carregadas de mágoa e raiva.

Ao repetir para si mesmo a vida toda que não há nada de errado em ser o que é e orgulhar-se disso,o outro em um momento rápido e armado de dor tem o poder de anular e fazer momentaneamente ou não, desacreditar-se de si. E novamente sentir o que não se sentia há anos. E os sentimentos ocultos da alma são os que mais doem. Porque dói com a dor passada e com a dor presente. E dói por prever a dor futura. Doem por duas,três ou quinhentas almas que foram atingidas pela própria falha.

Então me passou pela cabeça de forma estranha e desconexa todas as formas de exercer o perdão. Mas quando o outro se arma para tentar diminuir a dor própria e transfere isso para o outro,é compreensível o sentimento de alívio. Só que é seguido de culpa. E na história não há vítimas,mas há juízes cegos. Enquanto isso todos são culpados tentando se consolar com a própria verdade.

Os universos são pessoais e infinitos. Os clichês são clichês porque são ditos repetidamente. Mas repetir não torna-os verdade. Repetir fixa,acostuma,habitua,conforta e prende.

Quando imagina-se causador do sofrimento alheio,a própria culpa é suficiente para querer inverter os papéis e assumir algo que não é seu,na esperança de curar o que você esperava que não tivesse ferido.

Eu me imagino por todas as noites em que meu pensamento viajou por vários lugares buscando resquícios de momentos bons que proporcionei pra quem hoje não se desprende por conforto.

Afirmo a mim mesma o contrário,tento ouvir todas as frases ditas novamente e não me convenço.

Dói.

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