O lado dos taxistas

Na guerra entre Ubers e táxis até o momento não vi quem mostrasse o ponto de vista dos taxistas.

Sou carioca e tenho visto ao longo do ano a ascensão do Uber na área de mobilização urbana. Muitos amigos meus aprovam o aplicativo — mais um influência norte-americana no nosso país — devido a comodidade que têm em se locomover com conforto a um preço baixo. Assim como eles, a maioria dos cariocas também aprovam, e seria difícil até imaginar a reprovação. Brasileiros são acomodados e somente visam a própria vantagem. Talvez se buscassem um pouco mais de justiça e cidadania em suas ações, o caos político vivenciado hoje não existiria.

Antes de mais nada, gostaria de relembrar a importância dos táxis. Esse transporte público é utilizado no mundo todo e no Rio de Janeiro existe uma frota de cerca de 33 mil táxis, equivalentes a empregos. É fundamental ressaltar que o táxi desde a sua criação nunca foi um meio de locomoção barato porque nunca foi voltado para as massas. Ainda assim, existe motivos para o valor dito tão absurdo nas suas tarifas; essas razões serão explicadas a seguir sob o ponto de vista dos taxistas e levando em consideração a cidade do Rio de Janeiro.

Primeiramente, os impostos; são os seguintes: Renavam, Vistoria, Nada Consta, Seguro, Barata… E a lista se estende, fora gastos com a manutenção do carro. Nenhuma dessas tarifas são exigidas aos motoristas de Uber. Ademais, existe a tão sonhada autonomia, que é em palavras curtas o documento que viabiliza um cidadão comum se tornar taxista. Antes de sua desvalorização a partir do implemento da Uber, seu valor ficava em torno de 200 mil reais. Assim, é possível ver o quão sacrificante foi para os trabalhadores conseguir adquirir essa permissão. Entretanto, a grande questão se encontra nas exigências aos motoristas de veículos de aluguel a taxímetros feitas para a recepção dos Jogos Olímpicos de 2016. Elas pediram uma certa preparação, portanto foram feitas anos antes da ocorrência dos Jogos. Eram exigências como renovação dos carros e aprendizado da língua inglesa pelos motoristas. São quesitos bastante compreensíveis, pois implicam no aprimoramento do transporte público rodoviário e assim foram atendidos. Mas para quê? Para que da noite para o dia, não existissem mais passageiros nas ruas em busca de um táxi. Como da água para o vinho, o veículo amarelo com listra azul que circula há mais de um século e deveria ser considerado Patrimônio Histórico ser substituído pela Uber.

Não venho por meio dessa publicação demonstrar qualquer tipo de ódio e aversão desmotivada a Multinacional, apesar de ser o sentimento dos taxistas. Mas gostaria, sim, de poder expor a injustiça dessa competição e ser compreendida. As eleições a prefeito ocorrerão amanhã e existe apenas um candidato assumidor da defesa dos taxistas, embora, infelizmente, não seja confiável em sua política, visto que seu partido permitiu a instauração dessa confusão sem qualquer preocupação e planejamento para esse setor. Em outras palavras, deu as costas para os taxistas, enquanto a empresa estrangeira tomava espaço. E é nessa situação de abandono que os taxistas se encontram, e a indiferença do povo e do governo a isso faz da questão uma revolta.

Meu objetivo maior é tornar consciente na mente brasileira, da qual os fatos já são tão ocultados, o lado desse segmento para que antes da crítica sem embasamento aos táxis possa se refletir e ser feita, ao invés disso, uma crítica construtiva e que solucione o problema que vem ocorrendo no setor de transporte público.