Se existe um deus…

Não sou uma pessoa de dormir. Desde os dez anos eu perdi esse costume, o motivo é muito demorado de explicar, esse não é o foco.
Eu me mudei para um prédio alto há quase um ano.
Esse prédio fica no centro da cidade que moro.
Moro em um dos últimos andares, contando de baixo para cima.
Ainda não durmo.
Talvez minha escrita aqui não esteja sendo tão coesa ou talvez nem boa como nos outros textos, mas entenda que demoro para escrever, pois é assim que minha mente funciona.
Não desenho uma linha reta a tanto tempo quanto não durmo, e não tenho um pensamento linear a tanto tempo quanto respiro.
Não ouso dizer tanto tempo quanto existo.
Saí do foco de novo.
Talvez saio tanto que meus textos nunca crescem em um todo.
Mas o que o título tem a ver?
Minha proposta era outra quando comecei a escrever, voltarei a ela.
Como ainda não durmo, vivo do silencio da noite.
Eu gosto da noite, seu silencio me conforta mais do que qualquer outro.
No entanto, o silencio da noite me conforta, tanto quanto o barulho da manhã me conforta.
Não fez muito sentido.
O barulho da manhã me diz que não estou sozinho.
O silencio da noite que estou sozinho quando devo estar.
O silencio da manhã mostra que estou sozinho.
O barulho da noite mostra que devo ter medo.
Como moro tão alto, ouço tudo a um raio bem extenso.
Pelo menos uma vez a cada dois meses, ouvi um vidro quebrando.
Uma vez por mês, ouço um homem gritando com uma mulher chorando muito alto.
Uma vez por quinzena, ouço homens brigando.
Uma vez por semana, ouço um tiro.
Uma vez por noite, ouço um alarme disparando.
Se existe um deus, creio que ele não tenha poder. Assim como não tenho daqui.
Olho da janela e não vejo nada, apenas ouço.
Se existe um deus, imagino como ele se sente.
E nem fui eu que os fiz.

Eu também estaria furioso.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.