Vou ser um pai melhor?

Assisti o vídeo daquela youtuber que serve para deixar todo mundo extremamente triste.

Eu não vejo o meu pai há quase três anos. Por escolha minha. Desde pequeno, quando comecei a perceber que o mundo era muito mais que assistir xuxa e tomar leite com nescau, tive meu pai como uma espécie de “herói”. Era incrível chegar em casa e encontra-lo sentado no sofá, com o nosso cachorro no colo e, como sempre, de mau humor.

Acho que posso contar nos dedos quantas foram as vezes que eu o vi sorrir estando… sóbrio. é, meu pai é alcoólatra. Eu não me preocupava muito com essas questões, afinal, quando ele estava no bar eu tinha a liberdade de comprar tudo que eu queria, comer vários salgadinhos e tomar mais refri do que uma criança de 7 ano deveria tomar. E eu me considerava feliz.

Por outro lado, eu sempre me pego lembrando das manhãs de domingo, em uma banca de pastel em frente as casas bahia do centro da Ceilândia, quando íamos a feira juntos simplesmente para andar ou comprar alguma coisinha para mim e como esses momentos foram, aos poucos, deixando de existir. Junto com o pai que eu admirava.

Imagem da internet de um pai claramente negro

Crescer e notar o mundo ao teu redor é algo assustador. É nessa hora que os heróis e ídolos deixam de existir, que a realidade bate na sua cara e tenta te afogar. Havia algo no clima de casa que eu, por ser muito novo, não conseguia entender. E quando eu entendi, tudo mudou muito rápido.

Meu pai me ensinou muitas coisas. Uma parte pequena de quem eu sou hoje é reflexo de coisas que aprendi com ele. Apesar da minha mãe ser a protagonista de todas as minhas histórias na infância, eu sei que a deixava de lado por um pai que não era bem um… pai.

E é isso que eu quero, quando/se eu for pai: eu quero ser melhor.

Não é questão de ser o melhor pai, porque é tudo questão de vida e eu não posso prometer essas questões agora pensando em situações hipotéticas. Mas sei que quero ser um pai melhor e sei o impacto que isso vai causar na minha futura família.

E sobre o meu pai. é, acho que não tem o que fazer.