Reforma

Poucas vezes eu vi algo sendo tão discutido quanto às reformas trabalhistas e da previdência social, em todas as as formas de comunicação apenas um assunto parece estar em voga no momento.

Hoje eu não fui trabalhar, passei mais de duas horas no ponto esperando ônibus sentado no frio e antes que pensem que eu estou bravo com isso, só quero dizer que não estou.

Eu sou contrário às reformas propostas pelo governo, eu tentei ir ao trabalho hoje porque eu gosto das pessoas com quem eu trabalho e sei o quanto é difícil manter a loja em operação com um quadro reduzido, eu tentei ir em respeito a eles.

Eu sou contrário a essa reforma por não concordar em diversos pontos propostos e considerar as mudanças um retrocesso a segurança social da população, eu entendo que muitas pessoas concordam com pontos ou na íntegra com o texto da reforma, entretanto o que muitas vezes esquecemos é o que o papel aceita tudo.

Eu considero o tempo de tramitação da proposta muito curto, a reforma me parece estar sendo feita as pressas, o que é irônico em um país conhecido pela tremenda burocracia, você pode até considerar paranoia minha, mas acho preocupante que algo de tamanha importância seja votado tão rapidamente.

Também acredito que as pessoas não estão pensando no pesadelo logístico que seria administrar algumas dessas propostas, ou imaginam que seriam os únicos beneficiados por isso e portanto não afetaria o dia a dia da empresa.

Esse texto vai ser longo, mas vou explicar os pontos e ideias que não concordo e os motivos, se não quiser ler, não levarei para o pessoal;

Parcelamento de Ferias.

No papel a possibilidade de se parcelar as férias aparenta ser uma ótima ideia, mas tanto logisticamente para a empresa, quanto para a própria saúde de trabalhador não é saudável.

Em uma conta simples uma empresa que possui 30 funcionários, cada um com direito a 30 dias de férias caso cada funcionário decidir parcelar as férias em 3 vezes teríamos um total de 90 períodos de férias a serem distribuídos aos funcionários, em um ano teríamos que conviver com 2 a 3 funcionários se alternando em períodos de 10, fora a dificuldade de se programar todas essas férias para que não tenhamos funcionários demais parados o que paralisaria a empresa.

Eu não gostaria de estar na pele dos funcionários do RH da empresa nesse momento.

Claro que isso é um exagero meu considerar que todos os funcionários fariam isso, mas como eu disse o papel aceita tudo, e esse é um cenário tão possível quanto qualquer outro.

Em questão de saúde, períodos menores de pausa não permitem um descanso completo do organismo, nas suas próximas férias (seja ela de 10 ou de 30 dias) tente perceber quanto tempo você demora para realmente se sentir relaxado.

Flexibilização da jornada de trabalho e a possibilidade de se almoçar menos para sair mais cedo

Eu entendo o desejo de se sair mais cedo do trabalho, chegar mais cedo em casa, poder sair para um compromisso depois, a ideia em si é ótima, eu trabalhei um tempo razoável almoçando em 20 minutos e eu posso dizer que é horrível, o tempo de almoço não serve apenas para se alimentar, serve também para o descanso o organismo precisa de pausas regulares para se manter saudável, e o ser humano precisa dessas pausas também para se manter produtivo.

Fora questões de saúde, imagine a ideia de sair meia hora mais cedo em um dia de semana, quando se está com um relatório atrasado, quando se trabalha atendendo ao público, quando surge uma emergência de última hora, em um dia de trabalho isso seria considerado normal e você receberia um extra pelo tempo a mais que você passou na empresa, se você diminuiu seu almoço isso poderia ser considerado hora extra também, entretanto as jornadas de trabalho também serão alteradas e nessas horas que você fez a mais você diminuiria do seu horário de trabalho em outro dia, isso realmente seria ótimo, eu adoraria poder trabalhar algumas horas a mais em alguns dias e poder não ir trabalhar na sexta, ou no sábado (eu trabalho de sábado).

Mas talvez não seja só você que fez isso, mas outras 5, 10 pessoas também, seja sincero você realmente acredita que sua empresa conseguiria funcionar sem um número grande de funcionários na sexta, porque todos fizeram horas extras nos outros dias?

Reforma da previdência

Eu entendo que a previdência esteja quebrada, e que talvez seja necessária uma reforma para colocar ela nos eixos e torná-la viável para o futuro, aparentemente o rombo da previdência está em 179,3 bilhões, aparentemente o rombo criado pela corrupção é de 200 bilhões por ano, o custo de obras paradas e mal geridas é difícil de calcular, mas basta procurar e você que existem dezenas que estão custando mais de 100 milhões de reais, o problema do Brasil não é a previdência, é a má administração e a grande corrupção. Nós perdemos muito mais do que o rombo da previdência com isso por ano, e não é atacando a mesma nesse momento que iremos resolver isso, especialmente com uma reforma feita às pressas e que prejudica várias pessoas que já estão próximas de se aposentar. Eu aceitaria que fossem feitas reformas na previdência para refletir a situação do brasileiro, seu maior tempo de vida e melhoras nas condições de saúde que venham ocorrendo com o tempo, mas simplesmente fazer uma cirurgia sem antes investigar o que está acontecendo com o paciente não é a forma correta de se tratar o assunto.

A negociação de salários e benefícios

Olha no papel a ideia é ótima, mas na prática não é viável no país nesse momento, para que se possa haver negociação, ambos os lados tem que ter algo a ganhar, para funcionários de cargos que exigem uma qualificação, a negociação existe, você é um bem necessário para a empresa.

Se o seu emprego não precisa de uma qualificação tão grande você tem um grande problema, porque a partir desse momento, o empregador tem todo o poder em suas mãos, porque você não é necessário por algo específico e pode portanto ser substituído por outra pessoa que esteja precisando, isso com o tempo acarreta em menores salários e menores benefícios.

Para que essa ideia se torne válida no nosso país é necessário uma reforma na educação, as pessoas tem que ter uma possibilidade real de se qualificarem, possibilidade que não é de acesso a todas as pessoas.

Criação de empregos

A ideia de que as reformas vão criar mais empregos por permitirem outros tipos de cargos é sinceramente risível, não é por causa da CLT que as empresas não conseguem abrir, ou não conseguem criar mais empregos, mas sim pela gigantesca burocracia, no Brasil é um trabalho ardoroso e demorado a criação de uma empresa o que acarreta em menores investimentos em novos negócios.

Existem ideia muito melhores para a criação de empregos no país que não precisam de uma reforma na CLT para melhorar a economia.

Incentivos fiscais maiores para a criação de empresas e a abertura de negócios, impostos menores para empresas que estejam em zonas mais periféricas da cidade, diminuição da burocracia para a abertura de um negócio, melhora na educação com incentivos para projetos, criação de incubadoras de ideias em escolas e faculdades, incentivos a novas tecnologias, seguros maiores para quem investir, ideias não faltam.

Tem outras coisas que não concordo e algumas que eu até acho interessante e talvez eu escreva mais depois, mas o texto já está muito longo, quase 3 páginas e amanhã eu volto a trabalhar.

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