O coronelismo global e um gigante que se curva

O Flamengo tem a maior torcida do Brasil, com 32,5 milhões de torcedores segundo pesquisa Ibope/Lance!. Tem a marca mais valiosa entre os clubes brasileiros, cotada em mais de R$ 1.243 bilhões, segundo estudo da BDO Brasil.

Cansado dos desmandos de federações corruptas, como a FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e da CBF, o Flamengo liderou a fundação da Liga Sul-Minas-Rio ao lado de grandes times, que se tornou a Primeira Liga. O novo campeonato iria esvaziar os campeonatos regionais. O plano inicial do Flamengo era dar um jeito de escapar do compromisso de disputar o Cariocão.

Na impossibilidade disso, o plano B seria colocado em prática: disputar o Carioca com um time de reservas ou da base. Afinal de contas, nada melhor que um campeonato de segunda linha, disputado com times de segunda e terceira divisão, como Macaé e Vasco, para testar novos talentos. Mas o gigante e poderoso Flamengo esbarrou em um coronel: a Globo.

Nem toda a história, nome e valor do Clube de Regatas Flamengo foi capaz de bater de frente com quem dá as cartas no futebol brasileiro desde os anos 80. A Globo ameaçou diminuir o repasse dos direitos de exibição caso o Flamengo não jogasse com o time principal.

A relação de subserviência entre os clubes brasileiros e a Globo mostra o atraso do futebol enquanto negócio. O monopólio global obriga que os clubes aceitem passivamente as vontades da emissora, mesmo que isso signifique ir contra seus próprios interesses.

Se até mesmo o gigante de R$ 1 bilhão precisa beijar a mão e pedir a bênção do “coroné” Marinho, como esperar que outros clubes com menos poder ainda participe de algum movimento que tente quebrar com esse monopólio? E caminhamos para mais um ano de erros de arbitragem, corrupção desenfreada e desunião entre os clubes.

Não, o respeito não voltou. Se é que ele já existiu.

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