Se eu fosse o tempo

Se eu fosse o tempo, faria várias pessoas felizes. Voltaria sempre, pra momentos onde as pessoas desejassem voltar.

Se eu fosse o tempo, veria você todos os dias, no mesmo dia, no mesmo momento, eternizando-o.

Se eu fosse o tempo, faria da minha lei um veredicto universal, e deixaria que todos matassem o mal do arrependimento.

Se eu fosse o tempo, faria de você uma eterna companhia. Pra todas as alergias, pra todos os amores.

Se eu fosse o tempo, deixaria que momentos difíceis passassem voando, e momentos felizes, como se estivessem parados.

Se eu fosse o tempo, multiplicaria-me infinitamente, e distribuiria minhas diversas partes à cada pessoa do mundo. Para que cada um fizesse o que bem entendesse, desde que fosse para a felicidade.

Se eu fosse o tempo, faria todas essas coisas. Mas eu, infelizmente, não sou o tempo, sou seu Servo. Assim como toda criatura que, viva ou morta, alguma vez respirou, sentiu e - por alegria ou triste e infortuno, amou. Então, resta a mim, este pobre escritor que, com uma caneta e um papel, a cada letra escrita e pensada, a cada molécula de tinta que entra em contato com o papel e infeliz, nunca mais voltará a abandoná-lo, escreve e morre. O Tempo é impiedoso, assim como as palavras. E escrevo, porque há três palavras atrás eu era outro homem. Há três linhas atrás eu era uma outra Pessoa. O que dirá há um parágrafo anterior? E escrevendo, bem, deixo suas memórias ecoando eterdinade.
Portanto, antes que meu tempo acabe e meus átomos junto com seus átomos, se percam novamente, posso dizer-lhe para aproveitar o tempo de forma ampla, vívida, e de um jeito que não faça-o ficar arrependido de nada futuramente; pois o tempo é traiçoeiro e impiedoso, um grande amigo se lhe poder desafiá-lo mas um inimigo impiedoso se abaixar a cabeça. Então viva, lute contra ele, pois mesmo que haja um amanhã, talvez o amanhã desejado não exista.

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