Meu renascimento #SetembroAmarelo

Nessa foto vejo três momentos da minha vida. Na primeira foto, vejo uma pessoa triste, que não falava com ninguém, tinha um peso sobre as costas: achava que ser o que ele era estava errado, tinham ensinado isso pra ele na igreja. Graças a boa Lady Gaga essa era durou um ano, entrando na segunda imagem, ele conseguiu ver que não havia nada de errado em ser “diferente”, mas ainda escondia aquilo de todos. Conheceu o cara que seria o amor da sua vida e planejou seu futuro, uma boa vida em Paris e casamento aos 18 -agradeço por isso nunca ter acontecido-. Os dois ficaram juntos, mesmo que escondido, as escuras não era melhor, não é mesmo? Fez amigas que também juraram ser para sempre, as risadas foram gostosas e os momentos inesquecíveis. Mas tudo que é bom uma hora acaba, né? E o universo se encarregou de fazer esse trabalho de uma vez só. Tive que me mudar pra um bairro distante, o que era fofo se tornou obsessão e meu coração se quebrou em mil pedaços quando tive que dizer “não quero mais, acabou”, mudei de escola e deixei minhas amigas pra trás. A felicidade também ficou lá. Por fora parecia feliz de mudar para um bairro melhor, um apartamento e um quarto só meu. Por dentro, me sentia triste e já imaginava quando aquilo também iria acabar, chorava toda noite. O que não me deixou afundar foi fazer amigos virtuais, que tenho até hoje. Três meses depois “ele” voltou, era setembro e durou um dia, a carência foi maior que a razão.

2015. Foi o ano da minha construção como pessoa, não aconteceu nada importante. Peguei vários meninos e me descobri como “Luca Silva”. Uns me conquistaram pelo sorriso sexy, pelo olhar tímido ou pelos gostos parecidos, cada um me mostrou algo novo nesse mundão. Mesmo satisfeito com isso, me sentia triste e tentei suicídio logo no final do ano. Tava pressionado por tudo e to contando pela primeira vez. Minha mãe descobriu e eu fiz minha família sofrer, mas isso me fez ver que tinha pessoas ao meu lado que se importavam comigo. Isso me fez crescer, sorrir, levantar minha cabeça e dizer: não vou deixar essas coisas me levarem desse jeito. Resolvi nunca contar porque as pessoas adoram te julga ou te olhar com cara de piedade. Aliás, se alguém estiver precisando desabafar, sem julgamentos, pode me chamar no facebook.

Continuando, 2016 ainda não acabou mas já é meu ano favorito. Tá vendo esse garoto ai na foto? Esse é meu favorito até agora. Logo em janeiro senti orgulho de ser Gay e fui pesquisar mais sobre LGBT, militância e senti orgulho em ser negro. Fiz muitos novos amigos na escola e experimentei coisas novas. No quesito amor, outros garotos passaram na minha vidinha, mas não quero algo serio por agora. E assim vou seguindo, me construindo e aprendendo a dizer “sim” e “não”. Vou ficando por aqui e escrevendo minha obra prima. Esse é meu renascimento

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