Ontem eu estava ouvindo um álbum que não ouvia completo há um bom tempo. Aproveitei que não tinha nada pra fazer, abri o Spotify e o coloquei pra tocar. O que aconteceu foi que, no momento que coloquei um CD pra tocar, eu não lembrei do passado, eu comecei a ouvir as músicas de uma nova forma, um novo ponto de vista. É como se tivesse ouvido pela primeira vez, cada música parecia fazer mais sentido agora. Ué, mas como eu poderia estar sentindo aquilo? Eram músicas que, em 2013, tinham marcado momentos da minha vida. Seja dançar sozinho no quarto, esperar que a minha música preferida ganhasse um clipe ou sofrer por aquele amor que até hoje não me abandonou.

Esse ano (2016) eu completo 18 anos. É confuso ver que cheguei até aqui e, de alguma forma, estou feliz por não ter sido da forma que imaginei. Quando fiz 15, jurava que com 18 estaria namorando, me preparando pra mudança que faria pra Paris e, de alguma forma, rico. O Luca de 15 anos era muito chato e complicado, diferente da versão de 16 anos, que sabia que aqueles planos eram bobos. Mas o EU de 16 era obscuro demais, estava sempre triste e escondia tudo, escondia atrás de uma máscara de bom moço, nerd da turma. Eu meio que gosto da versão atual, de 17 anos, o rascunho da obra-prima. Não tem medo de se mostrar, adora se desconstruir, dono de si. Mas ainda estou trabalhando nisso.

Quando mudei de bairro, minhas duas melhores amigas pediram uma coisa: que eu nunca mudasse. Ficamos sem nos falar por um tempo e, quando encontrei com uma delas, ela me falou que eu havia mudado bastante, estava diferente. Eu fiquei pensando naquilo e, finalmente cheguei numa conclusão: estamos mudando há todo tempo, não adianta dizer que não queremos. Até pouco tempo detestava documentários, hoje em dia tenho vários na lista pra assistir. Ontem eu detestava , hoje eu experimentei e amo. Precisamos mudar, e fazemos isso há todo instante. Seja perdendo seu ônibus e aprendendo a ser mais pontual, ou chorando pelo amor não correspondido.

Quando terminei de ouvir aquele CD, pude refletir e ver minha vida de uma forma diferente. Visitei cada um daqueles Lucas e, de alguma forma, dei o merecido valor à cada um. Cada um deles era guerreiro e tinham ajudado na minha atual estrutura. Cada um tinha superado diversos obstáculos, de timidez até a dor de um coração partido. E quantos corações partidos… Enfim, depois dessa epifania, percebi o quão o mundo havia mudado. O modo de ver, sentir as coisas, era diferente de 2013. Menos meu coração, continuava se apaixonando por ai, sem rumo. Mas o quê eu posso fazer, se the heart wants what it wants…