Do ceticismo ao Humanismo

Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci.

O cético deve levar consigo sempre sua Navalha de Occam, um principio lógico que afirma que a explicação mais simples para um fenômeno sempre será a melhor, claro que levamos esse principio até que se tenham evidências que deem respaldo a alguma explicação mirabolante. A cautela é sempre interessante enquanto não se chega a uma conclusão. O cético especula, claro, ele pode imaginar muitas coisas tão mirabolantes quanto um não cético, mas em suas afirmações nunca dá um passo muito maior do que a quantidade de evidências que se têm em mãos. Para alguns isso pode parecer desnecessário, ou um caminho lento demais para a busca das respostas dos nossos questionamentos mais básicos, porém se você não quer afirmar algo que não seja verdadeiro e se tem humildade de afirmar que ainda não sabe responder algumas das questões mais básicas de nossas vidas, esse é o caminho correto. Quando assistimos a eventos como o dos refugiados da Síria, terremotos, tsunamis, enchentes, fome e as doenças que castigam o povo dos países subdesenvolvidos, ou até mesmo dos desenvolvidos, alguns crentes dizem que é o plano de deus, outros dizem que quem sofre está pagando por seus erros, erros de seus antepassados ou até mesmo erros de outras vidas, alguns até se revoltam com suas divindades e as amaldiçoam por sua crueldade, mas nunca param para refletir mais afundo sobre essas questões. Para um cético, usando sua navalha, a resposta será a de que vivemos a mercê de uma natureza amoral, logo ela apenas age, e também de um sistema imposto por nós que dá a alguns um poder de compra gigante, a outros um menor e para os demais um poder de compra quase ou totalmente nulo. Mas o cético se acha superior por ter esse visão? Não. Mas essa sua visão lhe dá uma possibilidade que as outras não dão, a de se responsabilizar pelos problemas que nós mesmos causamos ao próximo e não acusar ninguém de ser pecador ou merecedor desse sofrimento, mas claro, nem todo o cético será uma pessoa tão preocupada com seu semelhante. Nesse ponto que entra o Humanismo, ou Humanismo Secular, que é o nome dado a essa postura filosófica, ou religião, que prima pela razão, filosofia e ciência na busca pelas respostas, que discute as ideologias e dogmas em vez de segui-los cegamente, que busca sempre pela ética acima de qualquer moral, e que acredita que tudo isso, juntamente com a empatia e tolerância pode fazer do mundo um lugar melhor para todos. Por seguir essa postura e questionar dogmas e ideologias já vi gente me chamando de arrogante e de outras tantas definições, mas na verdade apenas sou cético, nem sempre fui assim, porem hoje sou, e por isso questiono tudo e sempre quero aprender um pouco mais, e sei que posso estar errado muitas vezes, mas tenho certeza que um dia meu questionamento pode corrigir esses erros, porque como diz aquela velha musica ¨A dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza¨.

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