Essa coisa de escrever
tem mexido comigo.
Me sinto sujo por dentro
e, por fora, sinto frio.
A tela branca me encara,
e me pede pra rimar.
E eu atendo o pedido;
despedaçando devagar.
Meu relicário é perfurado,
por versos em desalento.
Vou me sentindo só metade;
me perdendo no pensamento.
De tanto espaço vazio,
até arranjei lugar pra mais.
Aluguei partes de mim
que nunca me trarão paz!
As letras escorrem pela tela,
e parecem querer sair.
Me abraçar, me aconchegar.
Me convidar para fugir.
Como seria agradável!
Fugir com meus poemas,
desistir do mundo real,
não solucionar meus dilemas.
Mas não o posso agora.
Pois, esse negócio de escrever
tem me deixado confuso;
não dá pra escrever o querer.
Não consigo botar na tela — 
por mais que ela peça! — 
o que tenho desejado.
E me entristece à beça.
Me falta ser mais poeta!
Saber que há mais palavras.
Ousar ouvir — e escrever — .
Que me faltam mais estradas.
Que seja essa, então,
a minha próxima odisseia:
Caminhar pelas palavras
do que me falta e me resta.

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