Pensamento de rádio
Para onde vamos daqui
Se, nem de lá, saímos?
Que caminhos vamos seguir
Para provar que existimos?
Se numa encruzilhada encontro a morte,
Suponho outrora achar a vida.
Sem mais nem menos, sul ou norte.
Atravesso os dias numa só avenida.
Meus últimos pensamentos guiam
A um começo conturbado.
As noites que dali viriam,
Os amores que deixei de lado.
Endureço de tanto a caminhar.
Continuo deslizando, sem parar.
Permaneço! Vou devagar,
Mudo o ritmo, sem me explicar.
Não me sustento no que verso;
Não me apresento no que mereço.
Me perco no meu próprio inverso,
Pra, no final, virar do avesso.
Careço de sentido, amargo e inseguro.
Vou rimando, rimando...
Num compasso que mal escuto,
Vou improvisando, improvisando.
Não devo desculpas a ninguém!
Leu quem quis, pouco se fez
E no final, não há um porém.
Sem dúvidas dessa vez.
Atravesso mais um dia,
Roda o relógio, gira o mundo.
Vida que segue. Quem diria?
Por aparelhos, respira fundo.
