Queria ter algo pra escrever. Mas me falta dizer; me falta querer. E é não querendo que me entendo e me ofereço: me torno meu próprio endereço; e a carta que vai chegar é a escrita em seu lugar.

Não é simples ser recipiente de tanta coisa e de tanta gente. Pra descarregar, me concentro e vou rimando amor com sofrimento, felicidade com lamento. Escutando a cidade, sim eu vou! Faço dela meu estandarte e ainda crio do que sobrou.

Minha tarefa me consome tempo, paciência e criatividade. De repente, a rima some, vai com o tempo, na existência virar realidade. É nessas horas que não sou mais eu quem estou ali; mudou pra valer meu existir.

Transcendi! Permaneci (em movimento) no meu lugar. Demorei (sem perder tempo) para poder me retornar.

Foi só depois que compreendi que eu fui ser noutro espaço. Ainda meu, dentro de mim e resultado do que faço.

Fechei os olhos com a mente aberta; abdiquei de ser eu pra virar o poeta.

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