Relato poético de um sonho

O lugar difícil de chegar,
Mas com porta para outros. 
Outros que não são eu, pra variar;
Pois eu não consigo acessar.

Conversas com amigas recentes,
Receosa teoria psicanalítica,
Que guia a interpretação de todo dia.
Cada sonho, sua anomalia.

Cigarro estava presente, lá.
E divido com gente que entrou,
Gente que vai entrar. 
Toca a guitarra, por favor.

São mil e quinhentas caveiras, 
Divididas em três páginas do livro.
A cantar. A chorar e se lamentar.
Todas mortas, me mantendo vivo.

“Não é preciso corpo, 
não é preciso dançar”.
Precisamente às dez e meia da manhã,
Ouvi a voz do meu amigo ecoar:

“É isso. Você definiu performance”.
E acordei, atrasado e com frio. 
Trago aqui a lã de minhas memórias,
Que pude fazer com tão poucos fios.